REVISTA TAE - Dessalinização e água de reúso são alternativas para indústria sobreviver à escassez hídrica

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Dessalinização e água de reúso são alternativas para indústria sobreviver à escassez hídrica

Data:06/12/2017- Fonte:www.revistafatorbrasil.com.br

O cenário de escassez hídrica atinge diversas cidades no mundo. Israel, país com maior parte de seu território desértico, é referência no assunto quando se trata de se relacionar de modo sustentável com este insumo. “Para nós, essa é uma questão de prioridade nacional”, esclarece Oded Distel, diretor do Ministério da Economia e Indústria do país, durante o Seminário Ação Ambiental do Sistema FIRJAN, que visou aprofundar o debate sobre o tema no dia 29 de novembro, na sede da Federação no Centro do Rio.

Na região Sudeste do Brasil, o problema ocorreu pela última vez entre 2014 e 2016, quando os reservatórios de Cantareira, que abastecem a região metropolitana de São Paulo, ficaram abaixo de 10%, o mínimo para garantir a segurança hídrica para a população e indústrias atendidas pelo sistema. O diretor corporativo da Sal Cisne e presidente da FIRJAN Leste Fluminense, Luiz Césio Caetano, recebeu a premiação das mãos do empresário Isaac Plachta, presidente do Conselho Empresarial de Meio Ambiente do Sistema FIRJAN.

O Seminário FIRJAN de Ação Ambiental: Tecnologias e Práticas 2017, que contou com a parceria dos Consulados de Israel e dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, também premiou a empresa Sal Cisne, localizada em Cabo Frio, como Destaque Empresarial na Gestão Eficiente da Água. A empresa reduziu em 90% seu consumo com o reaproveitamento desse recurso.

Oded Distel explicou que seu país possui um programa — Israel NewTech — destinado a promover os setores de água e energia sustentável, por meio de apoio à Academia e à pesquisa, encorajando a implementação no mercado local e ajudando as empresas israelenses a alcançarem sucesso no mercado internacional. Um dos mais inovadores atualmente, o país desenvolve mais de mil startups ao ano.

Algumas das técnicas utilizadas para garantir essa eficiência são a dessalinização, reciclagem e irrigação por gotejamento. Na capital, Tel Aviv, por exemplo, 100% da água consumida é recuperada. Para ser tratado, o esgoto é bombeado para dentro da terra e novamente retirado, sendo encaminhado para Shafdan, a maior estação de tratamento do Oriente Médio. A água é então utilizada para irrigar as plantações, depois de percorrer 100 km por dutos até o deserto de Neguev.

“O controle administrativo de todos os aspectos da água é público, com legislações específicas. Além disso, optamos por campanhas de comunicação em massa para que a sustentabilidade seja prática cultural do país”, explicou Distel.

Por sua vez, São Francisco, na Califórina (EUA), foi palco de três grandes secas desde 1976. Como estratégia para evitar um novo cenário como esse, a cidade trabalha no desenvolvimento de projetos de conservação, exploração de águas subterrâneas, dessalinização e reciclagem, assim como na formação de decretos municipais para incrementar a conservação de recursos hídricos e fomentar o uso de fontes alternativas de água. “Como resultado, entre 2004 e 2014, houve redução de 20% da demanda por água, mesmo com aumento de 10% da população”, afirmou Paula Kehoe, diretora de Recursos Hídricos da Comissão de Utilidades Públicas de São Francisco (SFPUC).

Políticas brasileiras sobre a água — No Brasil, o governo federal atua por meio do Programa de Desenvolvimento do Setor Água (Interáguas) na busca por uma melhor articulação e coordenação de ações envolvendo este insumo. Atualmente, o país tem perda de 36% durante a distribuição do recurso, porcentagem acima da média internacional, de 25%. Uma das tentativas de reverter essa situação é o projeto Com + Água do Ministério das Cidades, que visa melhor o desempenho operacional dos sistemas de abastecimento.

“Trabalhamos por meio da capacitação e assistência técnica in loco para identificar problemas e soluções condizentes com a realidade de cada distribuidora. Além disso, procuramos incentivar o reúso no Brasil. Para isso, é preciso estabelecer uma configuração institucional da prática, licenciamentos e critérios de qualidade para sua utilização”, esclareceu André Braga, coordenador do projeto.

Percy Soares, coordenador da Rede de Recursos Hídricos da Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu que não há necessidade de regulamentação quando a água de reúso for produzida e vendida para atividades industriais, já que a qualidade é garantida pelas normas de saúde do trabalhador. “Por outro lado, deve haver regulamentação quando a água for direcionada para uso urbano, já que não há regras definidas sobre o tema”, observou.

Na ocasião, Jorge Peron, gerente de Sustentabilidade da FIRJAN, apresentou a situação do saneamento no estado do Rio. Estudo inédito da Federação aponta que a concessão de serviços de saneamento básico para o setor privado pode atrair R$ 7,5 bilhões em investimentos para o estado até 2033. “Por conta da crise orçamentária do poder público, ampliar a participação do setor privado pode destravar os investimentos em saneamento”, destacou Peron.

Água na indústria — A indústria brasileira precisa se preparar para um cenário de escassez hídrica, buscando fontes alternativas, tecnologias de tratamento e gestão eficiente dos recursos hídricos, na avaliação de Cristiano Buarque, diretor de Defesa de Interesses da FIRJAN: “O setor produtivo é dependente da água; por isso, a Federação intensificou, desde a última crise hídrica no estado, sua busca por alternativas sustentáveis”.

É o que já faz a Braskem com seu projeto de reúso, chamado Aquapolo, que ajudou a empresa durante a crise de 2015. Entre 2014 e 2016, a Braskem reutilizou 25 milhões de m³ de água, iniciativa que liberou um volume equivalente a 10 mil piscinas olímpicas para o consumo de água potável na região do Grande ABC, em São Paulo. Segundo Mario Pino, gerente de Sustentabilidade da empresa, o sucesso é tamanho que a iniciativa será expandida para as plantas de Duque de Caxias (RJ), Maceió (AL) e Camaçari (BA).

“Nosso maior desafio é engajar toda a cadeia produtiva nessa luta. Percebemos que não basta só a empresa se preparar para a escassez hídrica. Se nossos fornecedores e clientes forem impactados, nós também teremos prejuízo”, analisou Pino.

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