REVISTA TAE - É acertada a ideia da prefeitura de conceder saneamento na Barra

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É acertada a ideia da prefeitura de conceder saneamento na Barra

Data:11/01/2019- Fonte:www.abconsindcon.com.br

Crivella diz que pretende lançar o edital de licitação ainda este mês, mas precisará negociar com estado

Se alguém tem dúvida de que a cidade do Rio de Janeiro ficou para trás na questão do saneamento básico, basta consultar o ranking do Instituto Trata Brasil sobre o assunto. De cem municípios pesquisados, o Rio, segundo maior PIB do país, ocupa incômodo 39º lugar, abaixo de nove capitais (Curitiba, São Paulo, Goiânia, Campo Grande, Belo Horizonte, Porto Alegre, Palmas, Brasília e João Pessoa). O índice de esgoto tratado no Rio, por exemplo, é de 44% — em Curitiba, 17ª colocada na lista, é de 99,9%.

Nesse sentido, é bem-vinda a proposta do prefeito Marcelo Crivella de conceder à iniciativa privada o saneamento na AP-4, que inclui Barra, Recreio e Jacarepaguá. Está mais do que provado que a Cedae não consegue captar e tratar esgoto como é preciso. A evidência está nos rios e lagoas da região, que viraram verdadeiras latrinas a céu aberto. Como diz o prefeito, esperar que a companhia trate o esgoto das comunidades da área que deságua no complexo lagunar demorará anos.

Crivella anunciou que pretende lançar ainda este mês um edital para concessão do saneamento na região. A ideia é fazer uma PPP nos moldes da existente na AP-5, também na Zona Oeste, onde o serviço é tocado por uma concessionária privada, com resultados significativos. De 2012, quando foi feita a licitação, até hoje, foram investidos R$ 500 milhões e implantados 300 quilômetros de redes. O índice de esgoto tratado subiu de 5% para 35%. Até o fim da concessão, deve chegar a 98%.

Certamente não é por coincidência que as cidades fluminenses mais bem colocadas no ranking do Instituto Trata Brasil são aquelas que concederam os serviços de saneamento à iniciativa privada. Niterói, 19ª da lista, ostenta índices invejáveis: 100% de atendimento de água, 94,7% de coleta de esgoto e 100% de esgoto tratado. Em Petrópolis, a 27ª, o tratamento de esgoto também chega a 100%. Na prática, isso significa menos poluição, mais qualidade de vida para a população e menor pressão sobre o já crítico sistema público de saúde.

Embora haja obstáculos para que a proposta de Crivella avance — o contrato com a Cedae vai até 2057 —, o momento é oportuno, por causa da troca de poder. O recém-empossado governador Wilson Witzel, que se elegeu com discurso de mudanças, precisa negociar com Crivella, para facilitar a operação, ficando ao lado da população. A companhia por sua vez deverá enxugar custos, para que possa viver da receita pelo fornecimento de água.

Está na hora de prefeito e governador discutirem o que é melhor para a população e para a cidade do Rio, deixando de lado as pressões de corporações de funcionários da Cedae.

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