REVISTA TAE - Os danos que o Cromo Hexavalente pode causar à saúde

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Os danos que o Cromo Hexavalente pode causar à saúde

Data:04/12/2013- Fonte:Revista TAE

por Daiana Cheis

 

O cromo é um mineral traço que ocorre nas valências de –2 a +6, sendo as mais comuns +2 (Cr2+), +3 (Cr3+) e +6 (Cr6+). Está presente em pequenas quantidades em alguns alimentos como carnes, cereais integrais, etc. Cada valência corresponde ao nível do cromo e cada um se distingue de acordo com o seu uso. O cromo Hexavalente (VI), por exemplo, tem sido usado pela indústria de eletrônicos como tratamento anti-corrosivo, tais como: peças com banho de zinco, painéis de circuitos integrados e tubos de raios catódicos, bem como para blindagem elétrica para alguns componentes. Também tem uso em cromados, fabricação de corantes e pigmentos, escurecimentos de peles e preservação da madeira. O elemento integra a listagem da EPA (Agência Ambiental dos EUA) dos 129 poluentes mais críticos.
O cromo surge naturalmente e pode ser encontrado em rochas, no solo e em poeiras e gases vulcânicos; pode surgir em vários estados de oxidação. Embora as formas trivalentes predominem nos organismos vivos, o cromo Hexavalente (CrVI) e o cromo (Cr0) são formas, geralmente, produzidas por processos industriais. O cromo Hexavalente é convertido em cromo Trivalente dentro do corpo humano, uma vez que o cromo trivalente é um elemento necessário para a manutenção da boa saúde, uma vez que ajuda o corpo humano a utilizar o açúcar, a gordura e as proteínas. O cromo Hexavalente, presente no meio ambiente, é, geralmente, o resultado em aplicações na fabricação de produtos químicos, peles e têxteis e eletro-pintura.
A maioria dos metais possui potencial nefrotóxico, ou seja, substância que é tóxica para o rim. Além de outros elementos como o ferro, chumbo, cádmio, entre outros, o cromo é um perigoso metal e não apenas para o rim, mas responsável por causar outras doenças fatais, como tumores.

Cromo VI na água
A toxicidade do cromo está limitada aos compostos hexavalentes (Cromo VI), que têm uma ação irritante e corrosiva no corpo humano. A exposição do cromo hexavalente pode ocorrer, geralmente, através da inalação contato com a pele e ingestão. A inalação, por exemplo, do cromo VI, além de causar grave irritação das vias respiratórias, já foi reconhecida como um carcinogênico humano (isto é, cancerígeno). Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecer o limite para o consumo humano, de 0,05 miligramas por litro, não há estudos científicos que comprovem qual o nível de cromo ingerido pode vir causar a doença. Os potenciais efeitos do cromo hexavalente variam, principalmente, com as espécies e as quantidades absorvidas na corrente sanguínea, a rota e a duração da exposição.
Por isso, o cromo hexavalente encontra-se na maior parte das listas nacionais e internacionais de materiais de elevada toxicidade, para os quais se aplicam rígidos procedimentos de controle.
Nos EUA, o cromo Hexavalente é regulamentado como uma Substância Perigosa, Perigoso Poluente do Ar, Desperdício Perigoso, Químico-Tóxico e um poluente prioritário ao abrigo da Lei de Salubridade da Água. A restrição de União Européia para a utilização de determinadas Substâncias Perigosas (RoHS), juntamente com outras restrições em âmbito mundial, conduz à eliminação no uso de cromo Hexavalente nos bens de consumo.
O Cromo Hexavalente (VI) difere de outros metais pesados no sentido em que, apesar de ser tóxico para os seres humanos e para um grande número de organismo aquático em determinadas concentrações, é rapidamente convertido em Cromo III (trivalente) e não registra uma acumulação biológica no meio ambiente.
“O Cromo não é encontrado em sua forma livre, bastante comum em toda a crosta terrestre, com maior ou menor concentração, no minério CROMITA (FeCr22O4), quase metade da sua produção vem da África do Sul. O cromo hexavalente é resultado da redução industrial do cromo Trivalente. Existe a possibilidade da oxidação do cromo trivalente em Hexavalente nas circunstâncias específicas (água com pH elevado, etc), mas requerem estudos para sua comprovação”, explica o engenheiro de aplicação da Hoganas, Anthony Gladek.
A dificuldade de se estabelecer uma RDA para o cromo deve-se, principalmente, às limitações da estimativa da ingestão do mesmo, devido a sua reduzida concentração e a problemas de contaminações ambientais. A presença de Cromo está ligada ao local, região, tanto na contaminação antrópica como natural. E cabe aos órgãos competentes fiscalizar a abertura de novos poços para constatar a qualidade da água.
Segundo a assessoria de imprensa da Sabesp, responsável pelos serviços de saneamento em 364 municípios do Estado de São Paulo, a empresa é bastante criteriosa quanto à liberação de uma nova fonte produtora de água. Antes de um poço vir a entrar em operação são realizadas mais de 80 análises para verificação da qualidade da água do manancial, em determinado período de tempo de exploração, sempre atendendo a legislação.

Processos de remoção do Cromo VI
De acordo com o Gladek, a água de um poço, que contém alto nível de cromo, pode ser ingerida após a remoção do Cromo Hexavalente, através de um meio adsorvente.
Dos processos mais utilizados para remover o Cr(VI) de águas residuárias incluem filtração por membranas, precipitação química, osmose reversa, evaporação, troca iônica, extração por solventes, adsorção, entre outros. Entre esses métodos, a adsorção se destaca como processo físico-químico eficaz na remoção de íons de metais pesados de águas até mesmo quando presentes em baixas concentrações.
A Hoganas desenvolveu o meio filtrante adsorvente Cleanit LC. Segundo o fabricante o sistema reduz a perda de água, não gera passivo ambiental, e o meio adsorvente é reciclável, considerado uma solução completamente sustentável e integrada às boas práticas ambientais.
Contudo, os métodos convencionais utilizados para remoção de metais pesados tais como: a precipitação química, a oxidação ou redução química nem sempre são eficientes, o que incentiva pesquisas no sentido do desenvolvimento de tecnologias alternativas para tratamentos mais adequados. Nas última década, um grande número de estudos têm sido realizados visando a utilização de microrganismos/biomassas para a remoção de metais pesados de efluentes através de processo denominado biossorção. Dentre as biomassas destacam-se as algas marinhas pela sua abundância e riqueza estrutural, que podem ser usadas como retentores sólidos de metal pesado, substituindo as resinas convencionais. As vantagens deste processo estão na eficiência de remoção e na possibilidade de reutilização da biomassa através da dessorção dos íons metálicos.
Estudos recentes trazem métodos alternativos, como a casca da banana sendo um eficaz adsorvente de metais pesados. Uma Pesquisa do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, identificou a potencialidade da casca de banana na remediação de águas poluídas pelos pesticidas atrazina e ametrina, utilizados, em sua maioria, em plantações de cana-de-açúcar e milho. Em amostras coletadas nos rios Piracicaba e Capivari e na estação de tratamento de água de Piracicaba, as águas contaminadas com estes pesticidas ficaram livres dos componentes após o tratamento, comprovando a eficácia do método, se comparado a outros procedimentos físico-químicos mais comuns, como a utilização de carvão. O estudo foi realizado nos laboratórios de Ecotoxicologia e Química Analítica do Cena.

Legislação
A União Européia, uma das administrações mais avançadas neste sentido, criou, em 2006, duas diretrizes: a RoHS (Restrictionof Certain Hazardous Substances) e a WEEE (Wastefrom Electrical and Electronic Equipment). A RoHS é uma norma que proíbe que certas substâncias perigosas, como o cromo hexavalente (Cr(VI)) sejam empregadas em equipamentos eletrônicos, por ser radioativo, além de prejudicar o metabolismo celular e o DNA. Também conhecida como “a lei do sem chumbo” (lead-free), a diretiva RoHS (Restrictionof Certain Hazardous Substances ou Restrição de Certas Substâncias Perigosas) entrou em vigor em 1º de Julho de 2006. A diretiva RoHS limita a total de 0,1% o uso de certas substâncias na composição de manufaturados na União Européia, ou importados dos EUA, China, Nova Zelândia e outros países. Caso os produtos não respeitem a diretiva, sua comercialização é proibida na Europa.
No Brasil, temos a portaria MS 2.914/2011 que substituiu a portaria MS 518/2004 e estabelece um valor máximo permitido de 0,05 mg/L de cromo na água potável, sendo que não está descriminado em qual valência o mesmo se apresenta. Para efeitos ambientais, devido a complexidade das nossas leis fica abrangente à questões ligadas apenas a crimes ambientais. Temos resoluções como a do CONAMA (descarte ou reciclagem final adequada do composto) e ABNT NBR 10.004, menos abrangente, que especifica a periculosidade de resíduos, sendo: Perigosos (Classe 1 - contaminantes e tóxicos); Não inertes (Classe 2A – possivelmente contaminantes); Inertes (Classe 2B – não contaminantes).
Nos EUA há estudos mais específicos nesta área. Desde a maior contaminação ambiental, na década de 50 até 90, na cidade de Hinkley, Califórnia, cuja empresa Pacific Gas and Eletric Company (PG&E) foi responsável pelo vazamento de cromo VI no solo, ao utilizarem a sustância tóxica na limpeza de equipamentos de suas instalações locais. A partir desse problema foi que os Estados Unidos focaram os estudo voltados ao cromo Hexavalente. De acordo com a recente publicação, maio de 2012, da Water Research Foundation – State of the Science of Hexavalent Chromium in Drinking Water, por ter se demonstrado cancerígeno quando inalado, os efeitos na saúde, através da ingestão - via de exposição dominante na água potável, do cromo Hexavalente, é que estão sendo feitas análises a nível federal de cromo VI pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (USEPA). Em 2011, a (USEPA) ponderava se devia ou não estabelecer um nível máximo de contaminador (MCL) especificamente para o cromo Hexavalente. Em fevereiro de 2011, audição do Congresso dos EUA, em grande parte focada na pauta do EWG (Environmental Working Group) sobre o cromo Hexavalente. O objetivo dessa revisão é o de informar melhor ação regulatória potencial sobre esta questão, resumindo o que se sabe sobre cromo Hexavalente, bem como apontando lacunas que ainda existem atualmente.
No Brasil, o caso de maior proporção em relação à contaminação por cromo VI foi em 2003, no aquífero de Bauru, onde apresentava naturalmente uma alta incidência do composto em 17 cidades do interior paulista. Na época, uma pesquisa publicada pela USP, Série Centifíca - do Instituto de Geociências (IGc), na revista Geologia USP, os cientistas diziam que a causa do fenômeno era uma combinação de águas profundas muito alcalinas e um mineral de origem vulcânica inesperado no tipo de rocha da região.
O cromo metálico puro, a cromite e os compostos trivalentes de cromo não são tóxicos para os tecidos humanos, que têm uma ação irritante e corrosiva no corpo humano. Em certas condições estes compostos Hexavalentes podem causar a precipitação de proteínas. Num ambiente industrial, podem afetar a pele e as vias respiratórias, provocando dermatites e ulcerações. Genotóxico e alérgico. Facilmente absorvido pelas células e tem efeito alérgico e tóxico.

Atualidade
Em nota à redação da TAE, a Sabesp afirma que nas cidades dos 364 municípios pelo qual é responsável pelo serviço de saneamento, “a água distribuída para a população está dentro dos parâmetros exigidos pela Portaria Nº 2.914/2011 do Ministério da Saúde. E informou que ainda tem, no total, 17 laboratórios de controle sanitário, que são certificados pela ISO 9001. Nesses laboratórios especializados são realizados, em média, mais de 62 mil análises mensais, sendo: 17.200 análises na Grande São Paulo; 45.271 análises no interior e no litoral paulista. As análises incluem parâmetros básicos de controle, como turbidez, cor, cloro, coliformes e termolerantes. Todos os resultados são encaminhados para as Vigilâncias Sanitárias locais, conforme preconiza a lei. A Sabesp realiza ensaios da água distribuída em todos os municípios em que atua, garantindo e comprovando, dessa forma, a qualidade e a potabilidade. Os laboratórios seguem as normas NBR ISO/IEC-17025 e são acreditados pelo Inmetro. A acreditação é o reconhecimento da competência técnica de um laboratório e tem abrangência internacional. A empresa tem mais de 1.200 sistemas produtores de água e poços que passam pelo processo de monitoramento”.

 

Contato das empresas:
Hoganas:
www.hoganas.com
Sabesp: www.sabesp.com.br

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