REVISTA TAE - Santander aponta novas fontes de recurso privado para saneamento

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Santander aponta novas fontes de recurso privado para saneamento

Data:04/12/2017- Fonte:www.infraroi.com.br

Por Nelson Valêncio 

Diretor Executivo dos Setores de Linha de Transmissão, Saneamento e PPPs do banco fez uma radiografia das fontes durante II Forum Concessões em Saneamento

Os aportes do BNDES e da Caixa Econômica Federal (CEF) ainda representam 90% do financiamento dos projetos de água e de esgoto no Brasil. Aliás, os bancos de fomento foram o modelo determinante até 2012, quando as debêntures de infraestrutura renovaram as alternativas. Esse cenário vai se modificar com a saída gradual dos subsídios atuais e mesmo com o cenário de ajuste fiscal. Como as fontes privadas podem aumentar sua participação é a indagação feita por Daniel Green, diretor Executivo dos setores de linha de transmissão, saneamento e PPPs do Santander e palestrante do II Forum Concessões em Saneamento realizado na semana passada em São Paulo.

“Há um espaço que pode ser ocupado por bancos comerciais, fundos de pensão, seguradoras, agências multilaterais, agências de crédito à exportação, entre outras”, avalia o executivo. No caso das debêntures emitidas pelo mercado de capitais nacional há o incentivo fiscal (isento de imposto de renda para investidores pessoa física) e a amortização personalizada como pontos positivos. Green avalia que a extensão de isenção fiscal para as instituições como fundos de pensão – que representam interesses de investidores pessoa física – poderia valorizar o processo.

No caso dos bancos comerciais, as vantagens incluem análise de crédito e reembolso mais rápidos, além da amortização personalizada. As restrições, no entanto, incluem prazos menores e custos mais elevados, à medida que não existem subsídios. Já a emissão de bonds tem o problema da emissão em dólar e dos próprios custos de emissão. “A única emissão com essa alternativa nesse ano foi da Aegea”, lembrou Green, destacando que o grupo brasileiro  estruturou um processo de hedge para manter a segurança do processo.

Para ele, não existe resposta fácil e nem única em como suprir o espaço que será deixado pelos bancos de fomento. “Acreditamos que soluções customizadas deverão ser construídas para cada tipo projeto, com criatividade na estruturação financeira, o que será essencial para o desenvolvimento de soluções que unam diferentes tipos de credores, estruturas de garantias, moedas, prazos, entre outros”, argumenta.

O executivo lembra que a participação de debêntures e bonds é limitada também em nível mundial. No mercado de saneamento, segundo ele, mais de 88% dos financiamentos aconteceu via empréstimos bancários no período 2012-16. “Na Europa, a infraestrutura é disputada por mais de 30 bancos que vem assumindo o processo nos últimos 20 anos com custos mais competitivos, em função da alta liquidez do mercado”, resume Green. Já os vizinhos latino-americanos seguem o perfil do Brasil, embora o mercado de bonds – mas com moeda local – tenha começado a funcionar em países como México, Colômbia e Peru.

“De maneira geral, os países latino americanos têm buscado financiar infraestrutura com recursos locais (bancos e mercado de capitais), acessando recursos externos quando o mercado doméstico não possui profundidade suficiente”, finaliza.
 

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