REVISTA TAE - Especial: por que inovar em saneamento é fundamental e quais os principais desafios

Esta notícia já foi visualizada 445 vezes.

Especial: por que inovar em saneamento é fundamental e quais os principais desafios

Data:19/12/2017- Fonte:www.juntospelaagua.com.br / www.noticias.dino.com.br

Os bons exemplos de quem está conseguindo pensar o novo para vencer obstáculos no saneamento

“A inovação está ao mesmo tempo atrelada à compreensão de um desenvolvimento prévio e à flexibilidade para ir além e avançar nesse entendimento”, diz Mierzwa

Inovação é a palavra do momento. Repetida à exaustão por empresas e governos e ensinada em escolas, universidades e cursos livres, ela está na agenda do dia. Inovação vem de coisa nova, novidade, e em uma cultura como a nossa, que muda em ritmo cada vez mais veloz, ter uma mente orientada para o novo virou necessidade de primeira ordem. Afinal, para dar conta de novos hábitos, comportamentos e necessidades que se criam e recriam em pouquíssimo tempo, é fundamental ter disposição e velocidade para mudar e criar o novo, dia após dia.

No saneamento, a atitude inovadora tem força para trazer uma série de benefícios. É sabido que novos e históricos desafios, como a universalização do acesso aos serviços de distribuição de água e coleta de esgoto, o reúso dos recursos hídricos, a redução de perdas e o financiamento de projetos, permanecem sem, sequer, um caminho claro para a resolução. Pensar diferente pode ser um caminho. E quem tem cultura de inovação, enxerga, nesse rol de problemas, território fértil para a aplicação de novas ideias que podem levar a engenhosas soluções.

O saneamento precisa de inovação. E, neste especial, o Juntos Pela Água explora os desafios específicos de inovar em saneamento, mostra exemplos de quem está conseguindo inovar no setor, e revela que inovação, nem sempre, precisa envolver tecnologia – ela pode vir até da psicologia! Confira o texto, fotos, vídeos, motion graphics e infográfico preparados que preparamos para explorar o tema. Vamos juntos?

***POR QUE O SANEAMENTO PRECISA DE INOVAÇÃO***
“Inovação na gestão de empreendimentos em saneamento”, “Inovação em ETEs (Estações de Tratamento) descentralizadas”, “Inovação aplicada à gestão de perdas”. Esses são apenas três exemplos de sessões e painéis que trataram, diretamente, de inovação em alguma área do saneamento durante o “Congresso Abes/Fenasan 2017”, que acontece anualmente e se descreve como o maior encontro de saneamento ambiental do continente americano. Inovação em saneamento fez parte, de uma forma ou de outra, de praticamente todas as sessões do congresso, realizado pela Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária) em São Paulo entre os dias 2 e 6 de outubro de 2017.

Inovar é prioridade para o setor. E não é difícil entender por quê. Segundo dados do SNIS de 2015, 35 milhões de brasileiros não dispõem de serviço de abastecimento de água por rede de distribuição enquanto 100 milhões não têm serviço de coleta de esgoto – sendo que apenas 42,7% desse esgoto é tratado. Quase 37% de toda a água tratada produzida no País é perdida na distribuição e não se investe nem metade do que devia ser investido para que o Brasil cumpra a meta estabelecida no Plansab, em 2013, de universalizar os serviços de saneamento até 2033. Portanto, há carência tanto na oferta dos serviços de saneamento quanto no investimento para ampliar esse atendimento.

***O DESAFIO QUE É INOVAR EM SANEAMENTO***
Inovar apresenta desafios importantes em qualquer área e, em saneamento, não é diferente. Há, porém, obstáculos específicos à inovação em saneamento. E um dos grandes, segundo parte dos inovadores do setor que trabalham, principalmente, com novas soluções tecnológicas, são algumas das limitações impostas pela chamada Lei 8.666/1993, também conhecida como Lei de Licitações. Como os serviços de saneamento são prestados, majoritariamente, por empresas públicas que operam com bilhões de reais do erário, o setor é fortemente regulado. Isso é bom – mais controle sobre gastos públicos evita desvios e mau uso desses recursos.

Mas, ao mesmo tempo que esse controle protege o bem público, ele aumenta a burocracia e diminui a agilidade das operações de saneamento. “Não questiono a importância da lei de licitações e acho que ela é fundamental – mas ela funciona bem para a compra e venda de coisas tangíveis, como mesas e cadeiras”, diz Marília Lara, cofundadora da startup sorocabana Stattus4, que criou o Fluid, um sistema que usa sensores e inteligência artificial para detectar vazamentos em redes de distribuição de água (veja vídeo abaixo).

“Quando a sua empresa quer vender uma nova tecnologia, sem equivalentes no mercado – o que costuma ser a situação no caso das inovações em saneamento – as coisas se complicam”, afirma Marília. Antes de contratar um serviço, por exemplo, as empresas públicas de saneamento são obrigadas, pela Lei das Licitações, a cotar o serviço com três fornecedores diferentes. “Como encontrar alguém que preste um serviço equivalente ao seu, se você inovou e é a primeira pessoa a prestar esse serviço dessa forma?”, questiona Marília. É possível contornar essa regra, por meio de uma solicitação de uma autorização específica de contratação com dispensa de licitação – mas o processo é igualmente lento e burocrático para evitar abusos.

Para além das dificuldades de legislação, há barreiras culturais às inovações – principalmente as com viés tecnológico – no saneamento. “Por incrível que pareça, em alguns setores ligados às questões ambientais, como é o caso do saneamento, há quem busque uma espécie de pureza natural que dificulta a aplicação de novas tecnologias”, diz o engenheiro José Carlos Mierzwa, pós-doutor pela Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade Harvard e professor de engenharia hidráulica e ambiental na USP (Universidade de São Paulo). “Isso é um problema porque a busca pela inovação – não só em saneamento – é basicamente trabalhar para resolver antigos problemas de maneira nova e diferente”, afirma. “A inovação está ao mesmo tempo atrelada à compreensão de um desenvolvimento prévio e à flexibilidade para ir além e avançar nesse entendimento”, diz Mierzwa. “E isso requer grande abertura, coisa que, muitas vezes, não vemos no setor”, afirma.

 
https://www.juntospelaagua.com.br/saneamento-e-inovacao/
 
  

+ Saiba Mais

Comentários desta notícia

Publicidade