REVISTA TAE - Artigo de Jerson Kelman aborda programa de saneamento em áreas irregulares

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Artigo de Jerson Kelman aborda programa de saneamento em áreas irregulares

Data:23/01/2018- Fonte:Sabesp / Diário de S. Paulo

Quando nasci, a população urbana do Brasil era cerca de 18 milhões (36% de 50 milhões). Hoje é cerca de 180 milhões (86% de 208 milhões). Ou seja, em apenas uma geração a população total do país foi multiplicada por 4 e a urbana por 10! Coube à minha geração a responsabilidade de construir habitações e infraestrutura urbana para uma população equivalente a mais de 18 vezes a de Londres. É óbvio que não conseguimos. 

As consequências desse fracasso são bem conhecidas. Quem anda pelas favelas percebe a precariedade de tudo. Consertar o que foi construído desordenadamente é muito mais caro e difícil do que se a urbanização tivesse ocorrida de forma planejada, Ainda assim, essa é a nossa realidade e não podemos ignorá-la. 

Quase sempre há em cada comunidade carente um empreendedor local que acha um jeito de furtar água de tubulação da Sabesp para distribuí-la por meio de uma “macarronada" de tubos de pequeno diâmetro para a população desassistida. Em geral é um negócio lucrativo porque a população paga ao empreendedor pelo uso da “macarronada", mas ele nada paga à Sabesp. 

O consumo per capita nas comunidades costuma ser maior do que na cidade formal porque há muitos vazamentos ao longo da "macarronada" e, como não há hidrômetros nas habitações, poucos se preocupam em usar a água de forma parcimoniosa. Além disso, a precariedade do “serviço” impõe inaceitável risco à saúde das pessoas. 

Desde o ano passado a Sabesp vem implantando o Programa Água Legal nos antigos assentamentos irregulares para substituir as “macarronadas" por sistemas de abastecimento eficientes. O Programa reduz o desperdício de água e reconhece que os moradores das comunidades são também cidadãos que têm direito a um serviço prestado de forma tecnicamente correta. 

Quando o governador Geraldo Alckmin visitou uma dessas comunidades, uma senhora de bem com a vida nos convidou para um café na casa dela. Muito orgulhosa, nos mostrou a conta de água, contendo o seu nome e o endereço, no valor de cerca de R$15. Com um sorriso maroto nos disse: "antes pagava RS 50 e às vezes não tinha água”.


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