REVISTA TAE - IPT inicia projeto de mapeamento de pontos de acúmulo de águas pluviais para aplicar soluções tecnológicas

Esta notícia já foi visualizada 193 vezes.

IPT inicia projeto de mapeamento de pontos de acúmulo de águas pluviais para aplicar soluções tecnológicas

Data:21/02/2018- Fonte:IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de SP

Águas pluviais direcionadas a jardins de chuva e a valetas vegetadas que exercem o ‘papel da natureza’ e permitem a sua infiltração, podendo minimizar a ocorrência de alagamentos e até mesmo inundações, são exemplos das chamadas técnicas de infraestrutura verde que serão avaliadas em um projeto em curso no Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Com o objetivo de reconhecer áreas no campus do IPT em São Paulo com histórico de acúmulo de águas pluviais, a Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais iniciou, em setembro de 2017, um projeto de capacitação de seus profissionais na identificação e seleção de técnicas de infraestrutura verde destinadas a minimizar os efeitos adversos das águas de chuva.

O objetivo do projeto é avaliar as tecnologias existentes relacionadas à capacidade natural de a vegetação e o solo reterem e absorverem grandes volumes de água de chuva. Denominadas de técnicas compensatórias em drenagem urbana, as soluções em infraestrutura verde são consideradas ambientalmente mais adequadas para o disciplinamento das águas pluviais em áreas urbanizadas, desempenhando múltiplas funções e trazendo benefícios ambientais, sociais e econômicos a um mesmo espaço.
 
Segundo a pesquisadora e coordenadora do projeto, Maria Lucia Solera, a escolha do IPT para executar o projeto-piloto foi motivada pela facilidade do trabalho em área própria: “Chuvas mais fortes podem provocar acúmulo de água em pontos de baixadas do campus. A ideia do projeto é agrupar áreas com problemas de acúmulo de água e identificar o que elas têm em comum e, a partir de uma matriz de técnicas da infraestrutura verde, identificar quais têm potencial de aplicabilidade”. 

Além disso, segundo a pesquisadora, a motivação em realizar o projeto também está ligada ao seu potencial de inclusão no tema das cidades sustentáveis.

O projeto tem previsão de duração de dois anos e está dividido em algumas etapas. Uma das primeiras atividades realizadas pela equipe do projeto foi o registro fotográfico em diferentes pontos no campus do Instituto em dias de eventos chuvosos, a fim de verificar áreas com repetição de acúmulo de águas pluviais. Em seguida, foi feita uma comparação com mapas gerados a partir de modelos digitais de superfície, criados a partir de registros aéreos com o uso do drone do Laboratório de Recursos Hídricos e Avaliação Geoambiental do IPT, para validar o que foi observado em campo. Outra unidade do Instituto participante é o Laboratório de Árvores, Madeiras e Móveis.

BIOENGENHARIA DE SOLOS – Após a identificação dos pontos no campus do IPT sujeitos ao acúmulo de águas pluviais, os pesquisadores irão escolher uma ou mais áreas e selecionar uma técnica (ou técnicas) de infraestrutura verde que melhor se aplicam aos locais. “Poderá ser instalada uma biovaleta, um jardim de chuva ou um canteiro pluvial, por exemplo; em seguida, será feito um monitoramento com previsão de duração de um ano, a fim de verificar se a solução proposta exerce a função destinada àquela área”, explica a pesquisadora.


Além da infraestrutura verde, a ideia da pesquisadora é utilizar no projeto conceitos de bioengenharia de solos, que é uma tecnologia na qual se associam materiais naturais (sementes, estacas e feixes de plantas vivas) a inertes (pedras, madeiras, metais e geotêxteis) que formam sistemas vivos e contribuem para estabilizar, proteger, recuperar e recompor segmentos. “É uma técnica tradicionalmente usada para estabilizar margens de cursos d’água e também taludes naturais ou construídos. Tentaremos combinar as duas tecnologias no estudo”, afirma ela. 

Desde 2005, Maria Lucia estuda a bioengenharia de solos: a técnica foi primeiramente empregada para conter a erosão nas margens do reservatório da Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, em um projeto de P&D para a Companhia Energética de São Paulo, a Cesp; em 2012, ela foi empregada em um projeto de pesquisa interdisciplinar com o objetivo de viabilizar a recuperação de áreas degradadas pela atividade de mineração a céu aberto, que foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Vale.

+ Saiba Mais

Comentários desta notícia

Publicidade