REVISTA TAE - Risco de nova estiagem e escassez de água em São Paulo

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Risco de nova estiagem e escassez de água em São Paulo

Data:02/04/2018- Fonte:Envolverde

Julio Ottoboni

por Júlio Ottoboni (editor-chefe da Envolverde)

O outono mal começou e mesmo com temporais, São Paulo corre o risco de ter tanto um período de estiagem associado a  uma drástica baixa de seus reservatórios hídricos é cada vez mais próximo da realidade. O quadro será agravado em determinadas regiões do estado, como a Grande São Paulo e o Alto Tietê.  A conclusão é dos cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e técnicos de monitoramento das reservas de água do governo estadual.

A gravidade da situação fica ainda mais evidente quando se traça um quadro analítico de em um curto espaço de tempo. Em 15 de fevereiro do ano passado o reservatório da Cantareira estava com 71% de seu volume, entretanto  agora,  há exato um ano depois, o armazenamento caiu para 50%, mas tendo chegado em 16 de janeiro a 45% de sua capacidade.

Os extremos climático surgem como o  grande responsável por essa situação. Proveniente das alterações provocadas pelo aquecimento global antrópico, esse fenômeno  provoca grandes tempestades pontuais. Em grande  parte dos casos com as águas destas chuvas  não escorrem para bacias que pertençam as áreas de reserva hídrica, como os lagos de represas.

Apesar da sensação de haver uma quantidade de precipitação acima da média, os seis grandes reservatórios de São Paulo tem num volume unificado algo próximo a 50% de suas capacidades.  Os maiores indicativos são para um possível colapso hídrico na região metropolitana e que pode atingir também o Vale do Paraíba e a região de Campinas, que tem índices bem abaixo do normal de precipitação para o período.

Como o cientista aposentado do Inpe e fundador do Cptec , Carlos Nobre, além de ser um dos cientistas mais respeitados na área, ele foi um dos pioneiros ao alertar sobre as dramáticas mudanças no clima sobre o sudeste brasileiro. “Essas grandes tempestades pontuais dão a sensação que há chuva em abundância, mas isso é em uma escala muito pequena e enganosa”, observou. “As precipitações estão concentradas, chove muito mas apenas em um local específico e num determinado momento”.

A distribuição irregular das chuvas de verão, associada à baixa  previsibilidade climática na região que abrange São Paulo, causa preocupação nos meteorologistas sobre a possibilidade de estiagens prolongadas a partir do trimestre fevereiro, março e abril.

Soma-se a isso a paralisação de investimentos no segmento de previsão meteorológica pelo governo federal, o Inpe opera atualmente com um supercomputador defasado aos outros centros de semelhante porte em países que enfrentam diretamente os problemas do aquecimento global.

Apesar das reclamações, alertas e apelo dos pesquisadores, o das promessas do Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações em fazer o aporte de recursos para atualizar o equipamento estão longe de serem cumpridas. Desde o final do ano passado do supercomputador Tupã apresenta falhas graves e já quebrou algumas vezes interrompendo o fornecimento de dados.

A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, em outubro de 2016, aprovou a emenda do deputado e ex-prefeito de São José dos Campos,  Eduardo Cury (PSDB). Ela destinava R$ 120 milhões para a compra de outro supercomputador, mas o dinheiro não foi empenhado.

Mesmo diante das dificuldades, de acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), órgão do Inpe,  em seu prognóstico para meados do verão e o início da meia estação, ressalta a possibilidade de “ grande irregularidade temporal e espacial das chuvas, principalmente na área central e leste do Brasil”.

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