REVISTA TAE - Presidente Jerson Kelman participa do evento “2018: Brasil do Amanhã”

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Presidente Jerson Kelman participa do evento “2018: Brasil do Amanhã”

Data:18/04/2018- Fonte:Sabesp

Com oito encontros previstos ao longo de 2018, com diferentes temas, no dia 9 de abril o Museu do Amanhã trouxe o assunto ´água e saneamento´ para a mesa de discussão, dentro da plataforma “2018: Brasil do Amanhã”. O painel, aberto por Luiz Alberto Oliveira, curador do museu, e Samuel Barreto, gerente Nacional de Água e Saneamento do The Nature Conservancy (TNC), teve como debatedores Jerson Kelman, presidente da Sabesp, também professor da Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da UFRJ); Oscar Cordeiro Netto, professor da UnB e diretor da Agência Nacional de Águas (ANA); Hamilton Amadeo, CEO da Aegea Saneamento e Participações S/A; e Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil. A mediação ficou a cargo de André Trigueiro, da GloboNews.

"Da mesma maneira que a gente não aceita mais no nosso país mão de obra escrava, mão de obra infantil, violência contra a mulher, a proteção dos recursos naturais, a proteção às águas, o direito ao acesso à água e ao saneamento também devem ser valores pelos quais a sociedade deve brigar", disse Samuel Barrêto, em um dos trechos de seu discurso, ao abrir o evento.

Intencionalmente organizada em um ano das eleições majoritárias, a plataforma  “2018: Brasil do Amanhã” se propõe a desenvolver temas de interesse nacional de maneira científica, a partir de dados concretos, evidências ou constatações acadêmicas, com o objetivo de aprimorar o nível de informação, engajamento social e mobilização no período que antecede o processo de representação democrática pelo voto.

 

“Uma boa sinalização da prioridade e da importância que se dá ao tema é nomear alguém que entenda do ‘riscado’. Não precisa ser um hidrólogo, mas alguém que esteja, com o perdão do trocadilho, ‘infiltrado nesse meio’. E o Brasil teve o privilégio de, ao conceber a ANA, que é filhote da Política Nacional de Recursos Hídricos, nomear alguém que entende do ‘riscado’ e que é o nosso próximo convidado a falar, o atual presidente da Sabesp”. Foi com essa introdução que André Trigueiro chamou para o debate o presidente da Sabesp, Jerson Kelman.

Antes de falar sobre perdas de água, tema para o qual foi especialmente designado, Kelman destacou os esforços da Sabesp para despoluir o Rio Tietê, a visão estratégica que a companhia desenvolveu ao longo dos anos, com técnicos competentes e boa estrutura de governança, e o desafio de levar saneamento a todas as pessoas.

“Pegue a quantidade de água disponível em São Paulo e divida pela população. Dá 140 m³ por habitante/ano. Isso é a disponibilidade hídrica, (...) muito menor do que a disponibilidade hídrica per capita do semiárido. (...) Não é possível imaginar que metrópoles assim adensadas possam existir, sobreviver com recursos hídricos dos locais, a não ser que (...) estejam perto de grandes rios”, disse ele, explicando que perdas de água é uma questão de natureza econômica.

A mediação do evento ficou por conta do jornalista André Trigueiro, da Globo News, à esquerda da imagem.



“Tem cidades que estão na beira de um rio, um manancial grande (...). Chicago está na beira de um grande manancial, dos lagos, e lá eles fazem a conta e dizem: ´o custo de captar água e tratar pode ser menor que o custo de reparar as tubulações, então a perda é grande.. Tem muitas cidades no mundo que a perda é grande, por uma avaliação econômica. É o caso de São Paulo? Definitivamente não, porque lá (...)  a disponibilidade hídrica é pequena e você traz a água de muito longe e não faz sentido perder água. Então, como é que se mede? Como é que se compara? O SNIS, que é o sistema de informação, como é que funciona? Funciona com declarações. Não confiem muito no SNIS, porque ele é declaratório. Se um presidente de uma empresa não gostar de um número que ele tem, ele vai pedir pra mudar o número. Não é o que a gente faz na Sabesp, mas tem empresa que faz isso. (...) Eu até já propus uma auditoria. (...) Não dá pra comparar muito o SNIS, porque, (...) a maneira de medir, comparar, como se faz hoje, com percentual, é equivocada. Vamos imaginar aqui duas cidades. Na cidade um, a população consume 400 unidades de água e perde, na produção, no vazamento, 100, então produz 500, 100 para perder e 400 pra distribuir. Então a perda de água aí é 100 sobre 500: 20%. Agora pegue uma outra cidade que o consumo das pessoas é maior, iguaizinhas, a cidade é igual. Ela perde os mesmos 100, só que o consumo da população é 900. Então, qual é a perda percentual? É 100 sobre mil, 10%. Então, não é esse o índice bom, comparar eficiência. Locais como Los Angeles, onde se consome muita água, percentualmente a perda é pequena. É uma métrica errada. A métrica certa é comparar perdas com perdas. Como é que se faz para diminuir perdas? A Sabesp, para não aumentar as perdas, (...) tem que gastar R$ 350 milhões por ano. Diminuir perdas é como você tentar descer uma escada rolante que está vindo pra cima. Se você ficar parado, você vai ´aumentar´, vai subir, Se você quiser acelerar, você tem que gastar mais. No caso, a Sabesp, mais de R$ 350 milhões por ano. Nós vamos gastar cerca de R$ 1 bilhão em perdas. Se nos derem mais dinheiro, nós podemos fazer mais? Não, porque onde é que estão as perdas, no nosso caso? Principalmente, dentro dos centros das cidades, centro de São Paulo. O centro de São Paulo tem, a maior das tubulações, mais de 50 anos (...). E como você pode fazer essa intervenção sem absolutamente tornar a cidade um caos? (...) Tem um ritmo em que as coisas podem ser feitas, (...) um limite físico”, esclareceu.

Rafael Veras, diretor de Comunicação e Pesquisa do museu, fez questão de enviar e-mail agradecendo participação de Kelman "pela valiosa contribuição para o sucesso do nosso painel temático sobre água e saneamento".

Os eventos têm sido realizados no auditório do Museu do Amanhã e até outubro serão abordados alimentação, agricultura pecuária; ciência, empreendedorismo e inovação; respeito e representatividade da diversidade; energia; floresta; cidades e mobilidade urbana; educação; gestão pública; cultura. O primeiro foi sobre "Segurança Pública", dia 19/2, com curadoria do Instituto Igarapé. Trata-se de um movimento nacional pela qualidade do debate e pela defesa, promoção e desenvolvimento de agendas propositivas para o país, apresentado no final de 2017 pelo Museu do Amanhã, que conta com o apoio da Fundação Roberto Marinho, do Instituto Clima e Sociedade (ICS), do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), da GloboNews e da sua rede estendida de parceiros.


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