REVISTA TAE - Rio Water Week: “Iniciativa reforça a posição da ABES como uma das principais entidades do setor”

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Rio Water Week: “Iniciativa reforça a posição da ABES como uma das principais entidades do setor”

Data:17/05/2018- Fonte:ABES

Sueli Melo


A AEGEA Saneamento é uma das empresas patrocinadoras do evento, que estará com inscrições abertas a partir da próxima terça-feira, dia 22 de maio

Por Suely Melo

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES promoverá, entre os dias 26 e 28 de novembro, o mais importante encontro sobre água no mundo: a RIO WATER WEEK – Semana da Água do Rio. Realizado pela primeira vez no Brasil, o evento ocorrerá no Riocentro, Rio de Janeiro. As inscrições serão abertas na próxima terça, dia 22 de maio (saiba mais aqui).

Thiago Augusto Terada, gerente de Responsabilidade Social Corporativa da AEGEA, empresa que atua no setor de água e saneamento em 48 municípios do Brasil (uma das patrocinadoras do evento), e um dos coordenadores da programação, frisa que “a iniciativa reforça a posição da ABES como uma das principais entidades do setor”. Segundo ele, as discussões da RWW poderão contribuir com o desenvolvimento das atividades técnico-científicas promovidas pela associação e por outras entidades do setor, colaborando “com os avanços, não só do saneamento básico, mas do meio ambiente e da qualidade de vida da população brasileira”, diz.

O encontro, que já ocorre em outros países, como Suécia e Cingapura, reunirá profissionais e empresas do Brasil e outros países e envolverá também a comunidade acadêmica, especialistas e organizações internacionais para discutir a água em sua concepção mais ampla, abordando desafios, políticas públicas e soluções e tecnologias existentes no Brasil e em todo o mundo, com foco no ODS 6 –  ÁGUA E ESGOTO PARA TODOS ATÉ 2030. De acordo com Thiago, um dos principais desafios para alcançar este ODS é conseguir ampliar os investimentos no setor de saneamento no país.

A programação da RWW contempla 9 temas centrais, desenvolvidos em 20 tópicos e 35 sessões, sob a coordenação de especialistas.

Leia a entrevista

ABES Notícias – Qual é a importância para o Brasil da realização de um evento internacional consagrado em outras cidades do mundo?

Thiago Augusto Terada – É importante, na medida em que coloca o tema da água, da sustentabilidade e do saneamento, como um todo, em destaque no País, gerando discussões de alto nível, que podem culminar em possíveis soluções para os principais problemas do segmento. O saneamento básico tem conquistado cada vez mais espaço na agenda pública nacional e quanto mais discussões e encontros desta dimensão, melhores são as perspectivas de mudança, desenvolvimento e avanços no setor.

ABES Notícias – O debate em torno do tema água sob um ponto de vista mais amplo, com a participação de diferentes participantes (empresas, ONGs, governos e outros organismos), será o grande desafio da RWW. Qual é a sua visão sobre esta questão e como esta diversidade pode contribuir para a discussão?

Thiago Augusto Terada – Essa interação entre os atores da cadeia produtiva do saneamento básico é de grande valia. Cada um exerce, a seu modo, um papel muito relevante para a evolução do setor e essa diversidade contribui para que sejam encontrados caminhos conjuntos para seguirmos neste caminho.

ABES Notícias – Você integra a coordenação do grupo que trabalha o tema “Água e esgoto para todos até 2030”. Qual é a situação do Brasil nesta questão? Quais são os maiores desafios para alcançar esse ODS?

Thiago Augusto Terada – Um dos principais desafios é conseguir ampliar os investimentos no setor de saneamento, para que esse objetivo seja alcançado. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso ao serviço à água tratada e mais de 100 milhões de pessoas não possuem esgotamento sanitário e utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos, como fossas ou jogando o esgoto diretamente nos rios. Um estudo da consultoria L.E.K aponta que, desde a década de 1970, os investimentos em infraestrutura têm regredido no país. Se naquela década foram investidos 5,4% do PIB no setor, na que estamos o patamar é de 1,5%. Desse pequeno montante, a fatia do saneamento corresponde a apenas 10%. Acredita-se que, para a universalização dos serviços de água e esgoto em 2033, meta originalmente traçada pelo Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico), o país teria de investir cerca de R$ 20 bilhões por ano. Entre 2010 a 2015, no entanto, o investimento médio foi de R$ 11 bilhões. Nesse sentido, a iniciativa privada teria muito a contribuir ao setor, não somente trazendo capacidade financeira, mas também experiência técnica por meio de parcerias. A otimização da prestação de serviços dará novo fôlego às finanças dos parceiros públicos, o que deve culminar em um ciclo virtuoso de crescimento do setor.

ABES Notícias – Segundo estudo da Agência Nacional de Águas (ANA), publicado no ano passado, quase metade da população brasileira (45%) não recebe tratamento de esgoto. Qual é a sua visão sobre esta realidade? E o que fazer para melhorá-la?

Thiago Augusto Terada – O esgotamento sanitário é o serviço mais deficitário do segmento, atualmente, e isso é muito preocupante, considerando que a falta dele impacta negativamente outros setores, como a saúde, imobiliário, turismo, e a economia como um todo. Acreditamos que a complementariedade de investimentos das iniciativas pública e privada é um caminho possível para a solução deste problema no país. As companhias privadas têm capacidade financeira para contribuir com o desenvolvimento do serviço de esgoto. Com a PPP, a capacidade técnica e de investimento das companhias privadas ficam à disposição dos operadores públicos e contribuem para o aumento da oferta e da qualidade dos serviços prestados, além de colaborar com a geração de caixa e retomada financeira do parceiro público.

ABES Notícias – Como o país pode contribuir para esta discussão mundial e o que outros países poderão agregar ao debate e à experiência brasileira?

Thiago Augusto Terada – O intercâmbio entre países permite o acesso às melhores práticas que vem sendo desenvolvidas em saneamento no mundo, abrindo espaço para inovações que contribuem com o avanço dos índices dos serviços de água e esgoto.

ABES Notícias – Poderia comentar sobre a contribuição da AEGEA nesta realização?

Thiago Augusto Terada – O compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) permeia as atividades da Aegea e é estendido a fornecedores, usuários, comunidades e a todos os stakeholders da companhia. Investimos, anualmente, cerca de R$ 15 milhões em tecnologia, visando a agilidade da universalização do serviço de saneamento básico no Brasil, a mitigação do impacto ambiental negativo, a redução de perdas de água e, consequentemente, a diminuição do consumo de energia.

Além da própria implementação da operação de serviços de água e esgoto em 48 municípios brasileiros, desenvolvemos programas socioambientais, focados nas comunidades locais dos municípios onde atuamos. Somente em 2016, investimos mais de R$ 4 milhões em ações voltadas para educação ambiental e democratização da informação ao acesso à água e ao esgoto tratado. Um dos nossos principais programas neste sentido é o Saúde Nota 10, que apresenta às crianças, a importância da água e do esgoto tratados na conservação do meio ambiente e na saúde da população.

A Aegea está alinhada às principais agendas globais de sustentabilidade e faz do seu negócio um instrumento de mudança e colaboração com o aumento do IDH nos municípios onde está presente.

ABES Notícias – Qual é a sua opinião sobre o papel da ABES como entidade que está trazendo para o Brasil, como organizadora principal, um evento deste porte?

Thiago Augusto Terada – A iniciativa reforça a posição da ABES como uma das principais entidades do setor. As discussões que emergirão desse evento poderão contribuir com o desenvolvimento das atividades técnico-científicas promovidas pela ABES e também por outras entidades do setor, como forma de colaborar cada vez mais com os avanços, não só do saneamento básico, mas do meio ambiente e da qualidade de vida da população brasileira.

ABES Notícias – Qual é a sua visão sobre as discussões da primeira RWW em relação a ter impacto não apenas técnico e institucional, mas também político, em nosso país e outros?

Thiago Augusto Terada – As discussões que serão geradas no Rio Water Week e que abordarão tantos temas importantes relacionados à água, como governança, financiamento e regulação, sem dúvida contribuirão para que o assunto permaneça como uma das pautas principais do governo e ainda poderá oferecer insumos que reforcem a necessidade de investimentos no segmento e a importância do saneamento para a população brasileira.

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