REVISTA TAE - Com auditório lotado, encontro da AIDIS e ABES-SP debate controle de perdas de água

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Com auditório lotado, encontro da AIDIS e ABES-SP debate controle de perdas de água

Data:17/09/2018- Fonte:ABES

Suely Melo


Por Suely Melo

Foi realizado nesta sexta 14 de setembro,  o “18º Encontro Técnico de Alto Nível: Controle de Perdas”, evento promovido pela Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental – AIDIS, em parceria com a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES Seção São Paulo (ABES-SP). A ABES é o capítulo da AIDIS no Brasil. O encontro, que contou com a participação de grandes especialistas em perdas de água, lotou o Auditório Engenheiro Tauzer Quinderê da Sabesp. O Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento – PNQS, promovido pela ABES, foi um dos destaques da programação.

A diretora da ABES-SP e coordenadora das Câmaras Técnicas de Saúde Pública e de Resíduos Sólidos, Roseane M. Garcia Lopes de Souza, representou o presidente da Seção, Márcio Gonçalves de Oliveira, na abertura do evento. Participaram também da mesa Luiz Augusto Lima Pontes, ex-presidente da AIDIS e membro do Conselho Consultivo da entidade, e o diretor Metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, representando a presidente da empresa, Karla Bertocco Trindade.



Em sua apresentação, Roseane lembrou que embora tenha ocorrido avanços na questão das perdas no Brasil, que cerca de três décadas atrás figurava entre os 50% e 60% e visto, na época, como “normal”, ainda tem muito a ser feito para avançar. “Se formos ver de 30 anos para cá houve avanços, mas esse ainda é um grande desafio que temos no Brasil”, frisou. “Perda tem a ver com qualidade da água, que tem a ver com saúde e com proteção em relação ao padrão de potabilidade”, explicou a engenheira. “É importantíssimo, além de ter os programas, entendermos que perdas é uma prioridade. É um problema que se resolvido também resolveremos a questão da qualidade da água e da saúde pública”, destacou.

Já Luiz Augusto de Lima Pontes enfatizou que o evento é uma ótima oportunidade para divulgar o estado da arte neste assunto. “Os números hoje em termos de Brasil são impressionantes. Para se ter uma ideia, a perda de água física nos sistemas é de aproximadamente 32% e as perdas comerciais chegam a 35%. Somando isso dá 67% de ineficiência do sistema”, afirmou. “Aproveitando a presença de vários técnicos da Sabesp e também de fora, mostramos a importância do controle de perdas, os processos e metodologias para tentar atenuar esse problema tão sério”, concluiu.



Paulo Massato falou sobre ações da Sabesp para reduzir perdas, como a implantação da VRPs – Válvulas Redutoras de Pressão. Lembrando da crise de escassez hídrica que atingiu fortemente a Região Metropolitana de São Paulo, entre 2014e 2015, o especialista ressaltou que a questão das perdas foi decisiva naquele cenário. “As obras de aproveitamento no Sistema Cantareira, por exemplo, e uma somatória de ações permitiram que a população de São Paulo não ficasse sem água”, frisou.

Para ele, o índice de perdas de um operador de sistemas de água numa empresa de saneamento mede a sua eficiência no setor. “Quem tem um bom índice de perdas, é um bom operador de água. Quem não tem um bom índice de perdas não é um bom operador. Esta é a lógica”, enfatizou.

PNQS

Na oportunidade, Rosana Dias, coordenadora do CNQA – Comitê Nacional da Qualidade ABES, responsável pelo PNQS – Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento, apresentou o Prêmio Eficiência Operacional no Saneamento – PEOS, lançado no PNQS 2017 e que foi sucesso de participação já em sua primeira edição.

Rosana explicou sobre o MEGSA – Modelo de Excelência da Gestão do Saneamento Ambiental, que é composto por dois objetivos: guiar a gestão e trazer resultados. “O modelo mostra como enxergar dentro do setor na parte da gestão as políticas públicas integradas, além de tentar resolver como tratar água e o solo dentro de uma visão do saneamento integrado”, disse. Ela citou também o diferencial do modelo, que é o Guia de Referência para a Medição do Desempenho –GRMD, uma parceria com a Câmara Temática de Indicadores das ABES. O GRMD, segundo Rosana, “assegura a implantação efetiva de um sistema de medição de desempenho padronizado para todas as empresas que participam do PNQS”.



Rosana falou, ainda, acerca do desmembramento do PNQS, em 2017, que gerou uma nova categoria intitulada “AMEGSA – As Melhores em Gestão de Saneamento Ambiental”, com foco nas empresas operadoras: públicas, privadas, estaduais e municipais, e o IGS, no PEOS – Prêmio da Eficiência Operacional em Saneamento. O primeiro tema escolhido para ser trabalhado nesta categoria, como informou a coordenadora, foi perdas. Rosana destacou também o “Selo de Qualidade”, categoria voltada aos fornecedores. “Olhando a gestão de uma maneira integrada, entendemos que os fornecedores precisam fazer parte da nossa cadeia de gestão”, disse.

Ainda no âmbito do PNQS, o público conheceu dois casos de sucesso: “Sabesp MO -Vazamento Zer0”, apresentado por Liliam Rousea Silva Lima, e “Sabesp MN – Gestão Compartilhada De Perdas”, com apresentação de Jean Mineiro Ribeiro.

 

Especialistas em perdas

O evento contou também com importantes palestras de outros quatro especialistas na área: Mônica Porto, conselheira da ABES-SP e Professora Titular da Escola Politécnica da USP e ganhadora do título de Eminente Engenheira do Ano 2017 pelo Instituto de Engenharia; o palestrante inglês, Julian Thorton, da International Water Association (IWA) e da American Water Work Association (AWWA); Lineu Andrade, ex-presidente da ABES-SP (2003-2007) e diretor Técnico do DAERP – Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto; e Jairo Tardelli, conselheiro da ABES-SP. Os moderadores foram o engenheiro Paulo Robinson da Silva Samuel, tesoureiro geral da AIDIS e membro da diretoria da ABES-RS, e Luiz Augusto de Lima Pontes.

Monica Porto discorreu sobre “O Controle de Perdas no Contexto da Gestão Hídrica das Cidades”. Um dos destaques de sua apresentação foi a questão de uma nova agenda, que tem entre os seus tópicos o fomento ao novo padrão de consumo nos três setores: urbano, industrial e agrícola. De acordo com Mônica Porto, há um campo de ação que precisa ser explorado na busca da redução de perdas. Uma destas ações é “a gestão de demanda como um programa permanente no uso racional na redução de perdas e no reúso, os planos de recursos hídricos com estratégias me mais longo prazo. Temos feitos esses planos com horizontes muito curtos”, disse.

Julian Thorton abordou o tema “Entendendo a Taxa natural de Crescimento de Vazamentos”. Em sua apresentação, o inglês destacou um dos principais entraves no Brasil nesta questão – a falta de infraestrutura. Ele citou problemas como as redes de pequeno diâmetro e gerenciamento de pressões ainda não finalizado. “Temos pouca infraestrutura e a que temos está ficando fragilizada”, disse. “Precisamos fazer controle de perdas e começar a fazer planejamento de troca de infraestrutura, mas falta recurso para fazer tudo de uma vez, não tem tempo, nem espaço na cidades. Então, temos que fazer controle, entender, projetar, e empurrar mais para frente a vida útil da infraestrutura existente”, alertou Thorton.

Thorton aproveitou a ocasião para falar sobre a Rio Water Week – Semana da Água no Rio de Janeiro, evento internacional que a ABES promoverá de 26 a 28 de novembro no Rio de Janeiro .Segundo ele, além das diversas apresentações, a RWW contará também com workshops interativos nos quais os participantes poderão levar os seus dados para preparar um projeto.



Lineu Andrade apresentou o tema “Avaliação e Perspectiva do Abastecimento de Água – Ribeirão Preto”, abordando o programa Gestão e Controle e Redução de Perdas de Água na cidade, cuja concepção atual de abastecimento é 100% por manancial subterrâneo.

E o engenheiro Jairo Tardelli falou sobre “Intermitência e Perdas”. Segundo a definição do especialista, abastecimento intermitente significa má prestação de serviços para o cliente, significa deterioração estrutural das redes e risco à saúde, além de intensificar os vazamentos a médio e longo prazo, entre outros.

 



Sobre a participação do PNQS

Os palestrantes no âmbito do PNQS reforçaram a importância de suas participações no evento.

Rosana Dias comentou que foi muito significativo levar a experiência do PNQS para um público que essencialmente técnico. “Importante mostrar como uma ferramenta, um modelo, também pode ajudar e agregar valor aos programas de perdas, a modernizar e trazer soluções diferentes para o mesmo problema”, frisou. “Foi muito bom podermos compartilhar como o PNQS está estruturado, por meio do PEOS, além de apresentar os casos de sucesso que têm como objetivo: disseminar as melhores práticas para que por meio do conhecimento consigamos ajudar o setor de saneamento na busca da universalização e contribuir para a redução de perdas”, concluiu.

Liliam Rousea Silva Lima, que apresentou o Case “Sabesp Mo -Vazamento Zer0”, agradeceu à ABES por sua participação no evento – desde a parte da escrita do trabalho até a apresentação – e elogiou a organização do Prêmio. “É uma oportunidade enorme para as pessoas, principalmente, para as áreas que estão na ponta, que desenvolvem trabalhos, às vezes, simples, mas que têm um impacto muito grande e que não se tem noção disso em termos nacionais. A Sabesp, como um empresa grande, se destaca no meio nacional com essas ações que entendemos muito básicas, sem relevante resultado, mas que para outras empresas e outros estados é algo importantíssimo”, afirmou. Para Liliam, esta é uma oportunidade, inclusive para valorizar internamente as pequenas ações e trabalhos e de crescer, aprender e poder divulgar e ajudar outras empresas. “Também agradeço por ter feito a missão. De fato foi fantástico. Eu sabia que era organizada, que era uma oportunidade única, mas não imaginava o quanto. Parabenizo porque foi extremamente planejado e trouxe muito conhecimento”, finalizou.

Jean Mineiro Ribeiro, que apresentou o Case “Sabesp Mn – Gestão Compartilhada De Perdas”, também ficou satisfeito com sua participação.“Bacana a oportunidade que foi nos dada para disseminar, compartilhar as experiências exitosas que acontecem no dia a dia e que muitas vezes com a rotina não nos deixa adensar de uma forma para passar para os demais. Foi bem gratificante”.

Perdas em foco

Célia Castelló, diretora da AIDIS no Brasil, contou que a ideia de fazer o evento surgiu ao assistir no Instituto FHC as apresentações de Mônica Porto e Julian Thorton (em evento realizado pela ABES, em parceria com o instituto, no começo deste ano) sobre perdas. “Fiquei tão impressionada porque eles são tão catedráticos e têm muito conhecimento, mas têm uma linguagem muito fácil que até os leigos podem entender perfeitamente”, disse. “Naquele momento desenhei o evento, convidei também outros dois especialistas: o Jairo Tardelli e o Lineu Andrades. Pelo visto teremos que fazer outra edição porque o auditório estava lotado e ficou muita gente em lista de espera”, comemorou Célia.



Mônica Porto reforçou que o controle de perdas é essencial para a gestão das cidades. “É essencial para a sustentabilidade, para a economia das empresas, nos aspectos financeiros – é interesse da própria empresa não desperdiçar os recursos -, e é também importante sob os o ponto de vista dos aspectos dos recursos hídricos, por isso a relevãncia do evento”, disse. “Estão todos de parabéns porque este é um tema realmente que temos que nos dedicar”, completou.

Julian Thorton destacou que é fundamental realizar anualmente um evento com este tema. “´E importante nos encontrarmos e trocar ideias, avaliar onde estamos, revisar as metodologias que temos no mercado para reduzir as perdas. Para nos capacitar”, salientou. “Quando participo de eventos assim, venho para palestrar, mas também aprendo muita coisa. É uma troca de informações e uma oportunidade de juntar as pessoas que estão envolvidas no tema”.



Para Lineu Andrade, eventos com este tema sempre são importantes porque é quando se consegue ver as diversas faces do problema, a parte teórica das experiências dos colegas. “Sempre agrega e todo encontro deste tipo sempre agregará porque perdas ainda precisa evoluir muito no Brasil. Quando a média é 38%, vemos que a esmagadora maioria das empresas do país e também na América Latina para reduzir as perdas esse é o grande desafio de gestão e operação de todas essas empresas”, pontuou.

Jairo Tardelli enfatizou que eventos assim são sempre interessantes porque trazem novidades técnicas. ”E disseminam conhecimentos para um tema muito importante que mede a qualidade operacional da empresa e que, de alguma forma, reflete no custo da água que os clientes têm que pagar”, destacou. “Tecnicamente é um assunto que ainda tem muito para desenvolver e é importante também para os técnicos da área operacional se envolver e conhecer cada vez mais”.

Roseane Garcia reafirmou que o evento importantíssimo “porque um dos desafios do setor de saneamento é criar e implementar programas de perdas dentro do sistema de abastecimento para com isso melhorar a eficiência da gestão”, pontuou. “Os palestrantes foram excelentes, falando com todo conhecimento das questões de perdas, estudos de caso e experiências bem-sucedidas”.

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