REVISTA TAE - Águas de Juturnaíba trata esgoto com plantas aquáticas e sem produtos químicos

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Águas de Juturnaíba trata esgoto com plantas aquáticas e sem produtos químicos

Data:25/09/2018- Fonte:www.abconsindcon.com.br

Tratamento nas wetlands é feito de forma totalmente sustentável e sem mau cheiro

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no sistema wetland consiste na utilização de plantas aquáticas, cascalhos e materiais inertes no tratamento do esgoto, sem adição de produtos químicos. Assim, todo o processo é feito de forma sustentável e sem mau cheiro. A Estação Ponte dos Leites, em Araruama, nas Regiões dos Lagos do Rio de Janeiro, é a única da América Latina com capacidade para tratar 200 litros de esgoto por segundo (l/s) com este sistema.

A ETE é operada por Águas de Juturnaíba, concessionária do Grupo Águas do Brasil. O Grupo foi pioneiro ao levar a tecnologia para a Região dos Lagos e, em grande porte, para o Rio de Janeiro.

Todo efluente da área urbana de Araruama destina-se à Estação de Tratamento de Esgoto Ponte dos Leites. Nela, as plantas substituem os produtos químicos para tratar o material coletado de casas e comércios. Hoje, os 6,8 hectares de vegetação na estação – capaz de tratar 200l/s – recebem aproximadamente 179 l/s, de acordo com o último diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. Para comparar: o consumo médio de água por habitante no Brasil é de 159 litros por dia.

Como o próprio nome diz, em inglês, wetlands são áreas alagadas. No meio ambiental correspondem aos manguezais, pântanos e brejos. A Estação de Tratamento de Esgoto é uma construção nos moldes desse cenário para utilizar plantas aquáticas no tratamento de águas residuais.

São essas plantas que extraem o fósforo e o nitrogênio do esgoto. Destacam-se pela capacidade de remover carga poluidora, manter a conservação dos ecossistemas terrestres e aquáticos, reduzir o aquecimento global da terra, fixar o carbono do meio ambiente, mantendo o equilíbrio do CO², além de conservar a biodiversidade. O esgoto que entra na estação sai como efluente tratado e pode retornar à natureza. Além de o procedimento ser mais econômico, o processo de despoluição também não gera mau cheiro.

Na própria Estação de Tratamento de Esgoto Ponte dos Leites há uma área de proteção ambiental. A proliferação dos micro-organismos no tratamento dessas águas serve de alimento para outras espécies, contribuindo para a formação de um ecossistema integrado.

A biodiversidade da ETE em Araruama contempla espécies de aves, anfíbios, peixes e répteis.

Além do aspecto ambiental, a principal vantagem do uso das wetlands é a economia com gastos de energia e produtos químicos. O consumo de energia da ETE Ponte dos Leites é 200% menor que uma ETE em modelo convencional. Lembrando que não há gasto com produtos químicos.

Etapas do tratamento

O pré-tratamento começa com o gradeamento e a caixa de areia para retirar partes sólidas dos efluentes. As águas residuais são conduzidas para as lagoas de aeração, onde ocorre a troca gasosa do oxigênio da atmosfera com o meio aquoso. É o oxigênio dissolvido na água que contribui para que as bactérias ajam na degradação da matéria orgânica.

Em seguida, os efluentes vão para as lagoas de sedimentação. Nesse momento, as plantas aquáticas de superfície removem nutrientes do esgoto, como fósforo e nitrogênio. E, como o próprio nome diz, é onde ficam sedimentados os resíduos sólidos da fase anterior.

O tratamento nas wetlands acontece na terceira etapa. Nela ocorre a irrigação, inundação e infiltração em leitos cultivados, a fim de remover o excesso de nutrientes. Todo processo leva, em média, 13 dias e a água sai da estação 100% tratada e pode retornar à natureza.

Projetos

Compostagem

Uma vantagem dessa técnica é o projeto de compostagem dos resíduos gerados pelo tratamento de esgoto durante o processo. Em média, as 40 toneladas de podas de plantas retiradas por mês da estação – que representam 90% dos resíduos produzidos na ETE – são reaproveitadas para geração de adubo orgânico.

O processo de produção do composto inicia-se a partir dos resíduos orgânicos oriundos das podas e colheitas constantes realizadas nas áreas da wetland da ETE. Somando-se a estas, existem mais algumas pequenas quantidades de lodos tratados provenientes de outras ETEs e resíduos originados de caminhões limpa fossas. O projeto comtempla a montagem diária da leira base de compostagem aeróbia em função do volume de geração de todos os resíduos e com ênfase em suprimir qualquer eventual problema.

Das tecnologias disponíveis para implantação de sistemas de compostagem, a mais adequada para os resíduos gerados foi a Compostagem Aeróbia com Revolvimento Mecânico. A tecnologia é bastante eficiente em relação aos quesitos de higienização e descontaminação dos resíduos processados, quando realizada sob condições adequadas em instalações projetadas para recepcionar e processar os materiais de acordo com sua natureza. Essa técnica é uma das mais efetivas em termos de segurança, tanto ambiental quanto sanitária.

Os procedimentos de processamento foram realizados em área coberta com piso compactado e sistema de drenagem em circuito fechado que não permitem qualquer tipo de infiltração no solo. Além disso, o projeto contempla um programa de logística de recepção para resíduos que possam vir com excesso de umidade e/ou odor, propiciando que os mesmos sejam prontamente processados ou armazenados sob condições especiais que não permitam a liberação de chorumes, odores, nem a atração de animais indesejáveis.

Artesanato Sustentável

Parte desse material proveniente da ETE é doado para ONGs e cooperativas da região. Elas transformam os papiros e as sombrinhas-chinesas (Cyperus alternifolius) em porta-canetas, caminhos de mesa e jogos americanos, por exemplo.

Em 2010, a concessionária Águas de Juturnaíba, em parceria com a Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Araruama e a Cooperativa Nós da Trama, criou um Centro de Capacitação em Artesanato Sustentável, oferecendo alternativas de geração de renda para famílias em situação de risco e vulnerabilidade social referenciadas pelos CRAS – Centros de Referência de Assistência Social, permitindo assim sua inserção na economia da região. Desde então, essa parceria vem desenvolvendo diversos projetos.

Atualmente, o principal projeto que envolve o artesanato com os resíduos da ETE Pontes dos Leites é o Ecofibras. Este se desmembra em dois outros projetos, o Trama Cultural, em que os alunos de inclusão social aprendem a tecer com fibras da estação em teares, e o projeto Bio Arte, no qual os estudantes de empreendedorismo do ensino médio são instruídos pela Cooperativa Nós da Trama a produzir artigos artesanais a partir das podas de papiro e sombrinha chinesa, realizada na wetland da ETE Ponte dos Leites. Os dois desmembramentos também contemplam alunos no primeiro ano da formação de professores, com o intuito de capacitar os futuros professores a trabalhar com artesanato sustentável com seus alunos, criando, assim, multiplicadores do conhecimento ambiental na região.

A parceria da concessionária com a ONG implementou, em 2018, no CIEP 148, de Araruama, um novo projeto para inclusão social, que ensina a jovens portadores de deficiências físicas, sensoriais ou cognitivas a produzirem objetos de artesanato por meio da tecelagem e cestaria, usando fibras da ETE Ponte dos Leites como matéria-prima. O projeto também se expande para o curso de empreendedorismo, que trabalha com jovens sem deficiência, com o intuito de oferecer profissionalizar e gerar formas alternativas de renda. Portadores e não portadores de deficiência trabalham juntos, na mesma sala, o que promove a integração social dos alunos.

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