REVISTA TAE - Cooperação científica entre Brasil e Bélgica deve aumentar

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Cooperação científica entre Brasil e Bélgica deve aumentar

Data:09/10/2018- Fonte:Agência FAPESP

Heitor Shimizu, de Bruxelas | Agência FAPESP – “O potencial em termos de cooperação científica entre a Bélgica e o Brasil é enorme”, disse Arnaud Goolaerts, diretor administrativo de pesquisa do Fundo Nacional para Pesquisa Científica (F.R.S.-FNRS), da Bélgica, na sessão de abertura da FAPESP Week Belgium, realizada em Bruxelas nesta segunda-feira (08/10).

Segundo Goolaerts, 58% dos artigos publicados por pesquisadores apoiados pela F.R.S.-FNRS – que atua no desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação na Federação Valônia-Bruxelas (região que reúne a Valônia e a capital belga) – são produzidos em colaboração com colegas de outros países, mas desse total apenas 2,5% derivam de parcerias com brasileiros.

“O número de artigos publicados por pesquisadores da Federação Valônia-Bruxelas tem crescido a cada ano, assim como tem aumentado o número de artigos produzidos por cientistas brasileiros. Entretanto, não vemos o mesmo crescimento com relação à colaboração entre pesquisadores da Federação Valônia-Bruxelas e do Brasil”, disse.

Goolaerts destacou que esse cenário tem tudo para mudar e que um evento como a FAPESP Week Belgium, ao aproximar cientistas da Bélgica e do Brasil, é uma ótima iniciativa nesse sentido.

Realizado no Centro Belga de Histórias em Quadrinhos, o evento é organizado pela FAPESP em conjunto com as organizações belgas F.R.S.-FNRS, o Departamento de Economia, Ciência e Inovação (EWI), a Fundação de Pesquisa – Flanders (FWO) e a Wallonie-Brussels International (WBI).

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, disse que o evento nas cidades de Bruxelas, Liège e Leuven faz parte do esforço feito pela FAPESP em ampliar a cooperação com a Bélgica, país com o qual mantém três acordos de cooperação.

Um dos acordos é com a F.R.S.-FNRS, assinado em 2015 para implementar cooperação científica e tecnológica entre pesquisadores do Estado de São Paulo e do fundo belga. As instituições lançaram até o momento três chamadas de propostas, com quatro projetos de pesquisa selecionados nas duas primeiras. A chamada atual recebe até 29 de outubro propostas em várias áreas. Os projetos de atividades de intercâmbio financiados poderão ter duração de até 24 meses.

“Mas a colaboração internacional deve ir muito além do intercâmbio ou da mobilidade de pesquisadores. A FAPESP busca projetos de pesquisa completos e com objetivos complexos, que durem vários anos e sejam internacionalmente competitivos. Devem ser projetos totalmente colaborativos, concebidos, escritos, apresentados e desenvolvidos em conjunto por pesquisadores do Estado de São Paulo e de outros países”, disse Brito Cruz.

Jessica Miclotte, coordenadora do Departamento de Pesquisa e Inovação da WBI, também destacou o aumento no interesse na colaboração entre pesquisadores da Bélgica e do Brasil.

“A importância que damos a essa parceria pode ser exemplificada pelo fato de, dos seis escritórios de representação que a WBI mantém em outros países para apoiar colaborações científicas, um estar no Brasil”, disse. Os outros estão na Suécia, Estados Unidos, Alemanha, Suíça e Canadá.

Entre os mecanismos de apoio à colaboração internacional oferecidos pela WBI, Miclotte mencionou “esquemas de mobilidade de pesquisadores, auxílio à pesquisa e ferramentas de financiamento europeias como o Horizonte 2020”.

A FAPESP mantém colaboração com a União Europeia para, por meio do programa Horizonte 2020, estimular parcerias entre pesquisadores sediados no Estado de São Paulo e pesquisadores europeus.

Peter Spyns, coordenador de políticas internacionais do EWI, falou sobre o cenário atual da cooperação entre pesquisadores do Brasil e da Bélgica por meio do Horizonte 2020.

“São apoiados dois projetos na área de Liderança em Tecnologias Industriais, dois em Clima, Ambiente e Materiais, três em Segurança Alimentar, Agricultura Sustentável e Pesquisa Marinha e outros dois em Saúde, População e Bem-Estar”, disse.

"Várias instituições brasileiras apoiam ou participam dessas colaborações, como a Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade de São Paulo, o Instituto Butantan, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios e a FAPESP”, disse Spyns.

Isabelle Verbaeys, diretora de Relações Internacionais da FWO, apresentou dados que mostram o aumento na cooperação entre pesquisadores belgas e brasileiros. Apesar de o Brasil estar apenas em vigésimo lugar entre os países com mais colaborações com cientistas da região de Flandres, "o número de links na Web of Science, de copublicações com o Brasil, tem crescido ano a ano, passando de 320 em 2013 para 624 em 2017".

Segundo Verbaeys, outro indicador desse aumento é o acordo que a FWO assinou com a FAPESP este ano, por meio do qual foi lançada uma primeira chamada de propostas. O objetivo é apoiar projetos colaborativos entre pesquisadores do Estado de São Paulo e pesquisadores de Flandres, em qualquer área do conhecimento, desde que cubram o desenvolvimento de pesquisa científica básica. Os projetos selecionados terão início em janeiro de 2019, com duração máxima de três anos.

Inovação em São Paulo

Brito Cruz fez a primeira apresentação na FAPESP Week Belgium, sobre pesquisa e desenvolvimento no Estado de São Paulo. “São Paulo tem um sistema vigoroso de ciência, tecnologia e inovação, com fundos estáveis para pesquisa, universidades fortes em pesquisa, apoio para parcerias entre universidades e empresas, interesse de companhias do Brasil e do exterior e a maior produção científica na América Latina”, disse.

O diretor científico da FAPESP comentou que a quantidade de artigos científicos publicados anualmente – perto de 25 mil – por pesquisadores de instituições do Estado de São Paulo supera a produção completa de países como México, Argentina, Chile e Colômbia.

Brito Cruz ressaltou que, diferentemente dos demais estados brasileiros, em São Paulo a maior parte do investimento público em pesquisa e inovação vem de fontes estaduais, não federais.

Em seguida, Brito Cruz falou sobre o papel da FAPESP, que investiu mais de R$ 1 bilhão em 24 mil projetos de pesquisa em 2017, com 85% dos projetos contratados destinados ao avanço do conhecimento.

“Todas as propostas de pesquisa recebidas pela FAPESP são analisadas por pares. Das cerca de 26 mil propostas de bolsas e auxílios em 2017, a taxa de aprovação foi de 41%, com um tempo médio de análise de 69 dias”, disse.

O diretor científico também ressaltou a importância das colaborações internacionais em pesquisa, comentando que a FAPESP mantém acordos de cooperação com mais de 200 organizações em 28 países, com 26 novos acordos assinados em 2017.

Em 2017, a FAPESP destinou R$ 175 milhões para estimular a colaboração científica entre pesquisadores de instituições paulistas e redes de pesquisa no país e no mundo. O objetivo é potencializar os resultados dos trabalhos científicos em áreas de interesse em comum ou complementares e ampliar o impacto internacional da ciência produzida no Estado de São Paulo. Com as colaborações no país foram gastos R$ 27,2 milhões e com as internacionais, R$ 147,8 milhões.

Segundo Brito Cruz, além de conceder bolsas e auxílios para o exterior a pesquisadores e estudantes do Estado de São Paulo, a FAPESP tem vários mecanismos para estimular que pesquisadores e estudantes de outros países venham para o Estado de São Paulo. Pesquisadores de 167 países estiveram em São Paulo em 2017 por meio de auxílios concedidos pela FAPESP.

Brito Cruz falou também sobre as Escolas São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), cursos de curta duração ministrados por renomados cientistas brasileiros e estrangeiros, e o programa São Paulo Excellence Chair (SPEC), em que pesquisadores seniores de outros países colaboram com colegas brasileiros por períodos de três a cinco anos, com permanência no Brasil de 12 semanas por ano.

O diretor científico também falou sobre a importância para a FAPESP de apoiar pesquisas conduzidas em universidades em parcerias com empresas, destacando os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), o Programa FAPESP para Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e os Centros de Pesquisa em Engenharia/Centros de Pesquisa Aplicada (CPE/CPA), “que somam mais de R$ 1 bilhão em contratos para o apoio a pesquisas avançadas de longo prazo”.

Brito Cruz disse que a FAPESP busca, para a ciência e tecnologia no Estado de São Paulo, um impacto tridimensional: social, econômico e intelectual. “No impacto social, a FAPESP está atrás de ideias que permitem ampliar o bem-estar, que auxiliem ou informem políticas públicas e que aumentem os benefícios dos bens públicos”, disse.

“No impacto econômico, buscamos ideias que levem a novos negócios, que aumentem a competitividade e que criem novos setores industriais. No impacto econômico, procuramos ideias que sejam influentes, que deem origem a mais ideias e que tornem a humanidade mais sábia”, disse Brito Cruz.

A FAPESP Week continua nesta terça-feira (09/10) em Bruxelas, com apresentações de resultados de pesquisas nos temas “Indústria 4.0” e “Bioeconomia” e uma mesa-redonda sobre perspectivas para futuras colaborações entre cientistas do Brasil e da Bélgica. No dia seguinte, os integrantes da delegação paulista participarão de visitas e reuniões em centros de pesquisa em Liège e Leuven.

Mais informações: www.fapesp.br/week2018/belgium.

Realizado no Centro Belga de Histórias em Quadrinhos, o evento é organizado pela FAPESP em conjunto com as organizações belgas F.R.S.-FNRS, o Departamento de Economia, Ciência e Inovação (EWI), a Fundação de Pesquisa – Flanders (FWO) e a Wallonie-Brussels International (WBI) (foto: Heitor Shimizu/Agência FAPESP)

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