REVISTA TAE - UFSCar cria purificador para acesso a água potável em locais remotos

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UFSCar cria purificador para acesso a água potável em locais remotos

Data:11/12/2018- Fonte:UFSCar

Tecnologia foi apresentada a integrante da aliança Água+ Acesso e pode ganhar novas oportunidades de disseminação

A falta de acesso a água potável é um problema grave em todo o mundo, com 2,1 bilhões de pessoas - 3 em cada 10 - sem serviços de abastecimento que levem água de qualidade até as suas casas, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Destas, 263 milhões de pessoas gastam pelo menos 30 minutos para chegar até o ponto de abastecimento mais próximo, e 159 milhões continuam bebendo água não tratada de fontes como rios e lagos. No Brasil, a estimativa é que sejam 34 milhões de pessoas sem acesso à água de qualidade, o que representa 16% da população. Buscando contribuir para a transformação desse cenário, um grupo de servidores docentes e técnico-administrativos e de estudantes vinculados ao Departamento de Engenharia Mecânica (DEMec) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveu, ao longo deste ano, um sistema portátil e inovador de purificação de água, capaz de produzir até 4.320 litros de água potável por dia, abastecendo uma família ou, em alguns casos, pequenas comunidades.

O projeto de extensão "Avaliação da qualidade da água de diferentes sistemas de filtração compactos para uso doméstico", coordenado por Fernando Guimarães Aguiar, docente do DEMec, surgiu de demanda apresentada à Universidade no final de 2017 pela Companhia Coral de Investimentos e pela empresa Água Boa. As empresas haviam adquirido um nanofiltro de fabricação alemã e tinham interesse em desenvolver o sistema de purificação a partir desse filtro. "O nanofiltro é o grande diferencial do nosso sistema, com 100% de eficiência na remoção de vírus e bactérias. Mas não basta ter o filtro. O processo de purificação precisa ser realizado em etapas, desde a remoção de materiais maiores como pedras até a etapa da ultrafiltração e, além disso, havia outros desafios a equacionar", conta Aguiar. Tais desafios estavam diretamente relacionados ao objetivo pretendido para o equipamento: a utilização em locais de difícil acesso, onde a rede de distribuição de água não chega. "O sistema precisava ser compacto, eficiente e flexível no que diz respeito ao consumo energético, robusto - para aguentar vibrações e impactos no transporte - e de fácil manutenção, além do baixo custo", explica o pesquisador.

Para verificar diferentes possibilidades na busca da melhor solução, uma bancada experimental precisou ser construída e mais de 30 filtros foram testados, com a utilização de amostras de água com diferentes características. A configuração final do equipamento - batizado de PW 5660 - utiliza três filtros (dois convencionais e o nanofiltro), pesa cerca de oito quilos e inclui uma bomba de grande eficiência que reduz a potência exigida e, assim, a energia necessária. Assim, o abastecimento de energia pode ser feito tanto pela rede de energia elétrica, quando disponível, quanto por uma placa fotovoltaica acoplada ao equipamento. A estimativa de custo é de R$ 0,30 para cada mil litros de água potável produzida, e a previsão é que a manutenção precise ser feita a cada 100 mil litros produzidos, o que, para o uso familiar, deve representar cerca de três anos de utilização, segundo os responsáveis.

No dia 6 de dezembro, o projeto foi apresentado a Gaston Kremer, Gerente de Campo e Impacto da WTT (World-Transforming Technologies), fundação latino-americana dedicada a conectar inovadores a oportunidades de impacto social, ambiental e econômico. A WTT integra a aliança "Água+ Acesso", iniciativa voltada à ampliação do acesso à água segura por comunidades rurais que é articulada e gerida pela Coca-Cola e conta com a participação de várias outras organizações. O encontro aconteceu no Campus São Carlos da UFSCar, com a participação também de Fernando Silva e Maria Helena C. R. Azevedo, da Coral e Água Boa. Na ocasião, além da apresentação da iniciativa, uma demonstração foi realizada à beira do lago da UFSCar, durante a qual a água do lago, turva e imprópria para o consumo humano, foi rápida e facilmente transformada em água potável e bebida pelos presentes.

"A experiência aqui na UFSCar foi incrível. Foram poucas horas, mas muito conhecimento e evidências de uma imensa evolução! Eu conheci o Fernando, da Coral, no início deste ano, no Fórum Mundial da Água, quando ele tinha uma ideia promissora e um desejo de inovar muito grande, que a parceria com a UFSCar materializou. A WTT está atenta para poder apoiar a aplicação, e na expectativa de poder criar outras oportunidades para disseminar essa tecnologia que tem um potencial de impacto social muito grande", registrou Kremer ao final da visita. "A nossa parceria com a UFSCar é uma parceria vencedora e que nos dá muito prazer. É um projeto que a gente vê que vai ter uma contribuição social muito grande e que também, proporciona o retorno para o empresário. Esta é uma configuração muito interessante, que eu descobri há pouco tempo, e na qual eu contei com todo o entusiasmo do professor Fernando e de toda a equipe da UFSCar", complementou o representante da Coral Investimentos e da Água Boa.



Foto: Representantes da UFSCar, da Coral e da WTT à beira do lago da UFSCar (Foto: Luiz Gambardella – CCS)

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