REVISTA TAE - Rio pode economizar R$ 156 milhões em tratamento de água com restauração de florestas

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Rio pode economizar R$ 156 milhões em tratamento de água com restauração de florestas

Data:14/12/2018- Fonte:www.revistafatorbrasil.com.br

Estudo mostra que investir no plantio de florestas reduz a quantidade de sedimentos nos rios, diminuindo os gastos da Cedae.

A maior estação de tratamento de água do mundo, a ETA Guandu, no Rio de Janeiro, pode reduzir substancialmente seus gastos com investimentos em restauração florestal. Um estudo apresentado no dia 13 de dezembro (quinta-feira) indica que plantar florestas pode resultar numa economia de R$ 156 milhões em 30 anos. A estação faz o tratamento da água que abastece 92% da população da região metropolitana do Rio.

O estudo “Infraestrutura Natural para Água no Sistema Guandu, no Rio de Janeiro” mostra que se produtores rurais, empresas, o estado e a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) incentivarem a preservação das áreas naturais remanescentes e o plantio de florestas em 3 mil hectares em áreas altamente degradadas – o que representa 1,4% da bacia –, a quantidade de terra, sujeira e sedimentos que chega nos rios reduziria em 33%. Com menor quantidade de sedimentos, a ETA Guandu deixaria de usar 4 milhões de toneladas de produtos químicos e 260 mil MWh em energia, gerando o retorno do investimento de 13%, compatível com os resultados financeiros de obras no setor.

“O estudo mostra que a restauração florestal torna o sistema de abastecimento do Rio mais resiliente e a economia mais eficiente”, diz Rafael Feltran-Barbieri, economista do WRI Brasil e um dos autores do estudo. “Como o Rio é bastante dependente de uma única estação de tratamento, mesmo que seja a maior do mundo, a floresta desempenha um papel ainda mais importante.”

Segundo Hendrik Mansur, especialista em conservação da TNC e também um autor do estudo, é preciso avançar na restauração florestal de áreas prioritárias na Região Hidrográfica do Guandu com o objetivo de aumentar os serviços ecossistêmicos e a segurança hídrica da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. “A ampliação dos arranjos institucionais já instalados com os mecanismos de governança e os instrumentos financeiros serão fundamentais para o ganho de escala na restauração”, afirma.

Uma floresta restaurada precisa de tempo para “amadurecer” antes de atingir seu pleno potencial. Assim, o estudo também aponta para a importância de conservar a floresta existente, que já oferece diversos serviços ambientais, como a retenção dos sedimentos. “Conservar as florestas remanescentes e recuperar aquelas que foram derrubadas ao longo de anos são investimentos possíveis. Gestores dos serviços hídricos de todo o país devem considerar essa alternativa, benéfica para a sociedade e para o planeta”, afirma a diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes.

O estudo foi produzido pelo WRI Brasil, Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e The Nature Conservancy (TNC), e contou com apoio de Fundação FEMSA, União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Instituto BioAtlântica (IBio) e Natural Capital Coalition.

Infraestrutura Natural — O investimento em infraestrutura cinza – obras de transposição, reservatórios e canais – é a principal alternativa adotada pelo poder público no Brasil para enfrentar crises hídricas. O estudo mostra que o investimento em infraestrutura verde ou natural também deve ser considerado.

Infraestrutura Natural são ecossistemas manejados, restaurados ou conservados com capacidade de fornecer bens e serviços essenciais à produção material, saúde e bem-estar humano. Melhorar a qualidade da água está entre os mais preciosos serviços que a restauração da vegetação nativa pode oferecer, dado o papel de filtragem que as florestas exercem na retenção de sedimentos e assoreamento dos cursos d’água.

A incorporação da infraestrutura natural - ou infraestrutura verde - nos planos de gestão hídrica pode aumentar a eficiência, o desempenho e a resiliência dos sistemas convencionais, reabilitando a paisagem a ofertar água de melhor qualidade às próprias estações de tratamento. Poupam energia, produtos químicos e desgastes de equipamento das estruturas construídas, economizando recursos financeiros e oferecendo co-benefícios ambientais.

Além disso, a restauração e conservação de florestas traz outros serviços ambientais que não foram valorados no estudo, mas são de vital importância para a economia da região, como a polinização, o turismo sustentável e a regulação climática.

Cantareira (SP) já foi analisada — O relatório do Rio de Janeiro faz parte de uma série de estudos sobre a importância de se considerar a infraestrutura natural nos planos de investimentos em abastecimento. O primeiro estudo, publicado em setembro, analisou o caso do Sistema Cantareira, em São Paulo, e mostrou resultados semelhantes: os paulistas poderiam economizar R$ 219 milhões em 30 anos com restauração florestal de 4 mil hectares e conservação de áreas verdes.

O WRI Brasil é um instituto de pesquisa que transforma grandes ideias em ações para promover a proteção do meio ambiente, oportunidades econômicas e bem-estar humano. Atua no desenvolvimento de pesquisas e implementação de soluções sustentáveis em mudanças climáticas, florestas e cidades. Alia excelência técnica à articulação política e trabalha em parceria com governos, empresas, academia e sociedade civil.

O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI), instituição global de pesquisa com atuação em mais de 50 países. O WRI conta com o conhecimento de aproximadamente 700 profissionais em escritórios no Brasil, China, Estados Unidos, Europa, México, Índia, Indonésia e África.

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza — A Fundação Grupo Boticário é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. A Fundação Grupo Boticário apoia ações de conservação da natureza em todo o Brasil, totalizando mais de 1.500 iniciativas apoiadas financeiramente. Protege 11 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado, por meio da criação e manutenção de duas reservas naturais. Atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e nas políticas públicas, além de contribuir para que a natureza sirva de inspiração ou seja parte da solução para diversos problemas da sociedade. Também promove ações de mobilização, sensibilização e comunicação inovadoras, que aproximam a natureza do cotidiano das pessoas.

A TNC — The Nature Conservancy (TNC) é uma organização global de conservação ambiental dedicada à preservação em grande escala das terras e água das quais a vida depende. Guiada pela ciência, a TNC cria soluções inovadoras e práticas para os desafios mais difíceis do mundo, para que a natureza e as pessoas possam prosperar juntos. Trabalhando em 72 países, a organização utiliza uma abordagem colaborativa, que envolve comunidades locais, governos, setor privado e outros parceiros. No Brasil, onde atua há mais de 25 anos, a TNC promove iniciativas nos principais biomas, com o objetivo de compatibilizar o desenvolvimento econômico e social dessas regiões com a conservação dos ecossistemas naturais. O trabalho da TNC concentra-se em ações ligadas à Agropecuária Sustentável, à Segurança Hídrica e à Infraestrutura Inteligente, além de Restauração Ecológica e Terras Indígenas. | www.tnc.org.br.

A Aliança Latino-americana de Fundos de Água é um acordo criado em 2011 entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Fundação FEMSA, o Fundo para o Meio Ambiente Mundial (FMAM) e The Nature Conservancy (TNC), a fim de contribuir para a segurança hídrica da América Latina e do Caribe através da criação e fortalecimento dos Fundos de Água. A Aliança apoia os Fundos de Água através do conhecimento científico para alcançar e manter a segurançahídrica com soluções baseadas na natureza; da sistematização, da gestão e da disseminação do conhecimento; da capacitação e do suporte técnico; da promoção de um diálogo inclusivo entre atores relevantes da região, promovendo a ação coletiva; da participação ativa na concepção da governança da água e na mobilização de recursos de fontes públicas e privadas. S | www.fundosdeagua.org

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