REVISTA TAE - Projeto de filtragem de água no espaço de SC vence concurso Garatéa-ISS e irá à Estação Espacial Internacional (ISS) em 2019

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Projeto de filtragem de água no espaço de SC vence concurso Garatéa-ISS e irá à Estação Espacial Internacional (ISS) em 2019

Data:17/12/2018- Fonte:Assessoria de imprensa

Experimento foi desenvolvido por estudantes da cidade de Xanxerê, em Santa Catarina, que terão a oportunidade de enviar seu projeto com a Nasa num foguete da SpaceX até a Estação ISS em 2019

O maior consórcio espacial brasileiro da atualidade, a Missão Garatéa anunciou nesta sexta-feira (14) o vencedor do concurso Garatéa-ISSem que mais de quatro mil estudantes de 175 escolas participaram do Student Spaceflight Experiments Program (SSEP), programa norte-americano para incentivar jovens a estudar ciências espaciais. O projeto é: Capilaridade vs Gravidade no processo de filtração, feito por alunos do 2o ano do ensino médio do Instituto Federal de Santa Catarina -Campus Xanxerê, SC. 

A proposta dos estudantes Isabela Dalmolin Battistella; Renata Eliza Valentini Müller; Ricardo Vinícius Brum Cenci e Roberta Debortoli Moreira consiste em um sistema de filtração baseado no filtro de barro brasileiro, que é considerado um dos melhores do mundo segundo a revista The Drinking Water Book. Esse filtro tem seu funcionamento baseado na gravidade, que é a responsável por fazer a água passar pela vela, de modo a ser filtrada. O principal componente responsável pela filtração é o carvão ativado. O objetivo central do experimento é testar um método de filtração independente da gravidade, já que ela não existe no espaço. Para isso, os alunos xanxerenses contam com a capilaridade. A capilaridade é o fenômeno que ocorre em líquidos quando procuram ocupar espaços em um fenômeno diferente da gravidade, como, por exemplo, quando o nível da água de um canudo é maior do que o nível de água do copo em que ele está. Ou quando um guardanapo molhado é colocado em pé e a água segue se infiltrando no tecido do guardanapo para cima.O experimento será feito em um tubo de ensaio. Ele será dividido ao meio por uma camada de carvão ativado, que será o responsável pela filtração. Em um dos extremos ficará uma solução de azul de metileno, que é a substância a ser filtrada, sendo o outro extremo o destino dessa mesma substância já filtrada. Além disso, o experimento terá a presença de um respirador, que passará ao longo de todo o tubo, a fim de regular a pressão interna: o líquido só pode passar para o outro extremo ‘trocando de lugar’ com o ar, ou seja, para o líquido passar, é necessário que passe ar no sentido contrário.


O projeto irá voar em um foguete da SpaceX com os astronautas da Agência Espacial Americana (NASA) para a Estação Espacial ISS em 2019. A Garatéa-ISS é uma iniciativa desenvolvida em parceria com a Universidade de São Paulo e a Fundação de Apoio à Física e à Química. O projeto que foi inaugurado no dia 10 de setembro tem patrocínio das empresas Airvantis, Instituto TIM e Braskem.

Resultado de uma parceria da Missão Garatéa com o Centro Nacional para Educação Científica para Terra e Espaço (NCESSE), o programa Garatéa-ISSestá em sua segunda edição. A primeira participação brasileira culminou com o envio para o espaço em junho deste ano de um experimento de alunos do Colégio Dante Alighieri, EMEF Perimetral e Projeto Âncora. O estudo do grupo de cinco alunos queria verificar as condições do endurecimento do cimento misturado a plástico verde em ambiente de microgravidade. No dia 29 de junho de 2018, o experimento foi para a Estação Espacial ISS a bordo de um foguete da empresa SpaceX, onde ficou por um mês e retornou no dia 3 de agosto à Terra, para avaliação dos resultados. A ideia do engenheiro espacial Lucas Fonseca, diretor da Missão Garatéa, é a cada ano expandir a participação para que estudantes do Brasil todo possam ter esta experiências. 

"Despertar o interesse das crianças pela ciência é um vetor importante para garantirmos a continuidade de todo um trabalho exercido no país", diz Fonseca, que foi reconhecido em julho pelo International Institute of Space Commerce(IISC) como uma das 35 pessoas no mundo abaixo de 35 anos que estão transformando a relação do homem com o espaço.


"A maior alegria para um professor é quando seus alunos o procuram para estudar. O maior prêmio: quando somos procurados para participar de um experimento que poderia ir para o espaço. Esse alunos conseguiram vencer. Todo o mérito da dedicação é deles", afirmou Daniel Ecco, professor de Matemática que coordenou o projeto da turma vencedora.

Como foram as seletivas – Cada escola definiu o grupo de alunos participantes, de 10 a 17 anos. Cada projeto foi desenvolvido por um grupo de no mínimo quatro estudantes. Dentro de cada instituição de ensino houve uma competição interna para escolha do melhor projeto. No início de dezembro, estes projetos foram colocados para avaliação de uma banca de especialistas formada por cientistas renomados de universidades e institutos brasileiros, que selecionaram os três melhores. A partir deste resultado, os grupos escolhidos passaram por um programa de qualificação de seus projetos sob a coordenação da Missão Garatéa, detalhando-os e tornando-os adequados para apresentação aos técnicos da Nasa. Estes anunciaram nesta semana o vencedor.

Agora, o grupo de alunos de Xanxerê continuará com o ciclo de montagem de experimento, que ocorre entre janeiro e abril de 2019. Entre maio e abril e 2019 o projeto vai voar até a ISS com outros diversos ganhadores dos Estados Unidos e Canadá. 

Sobre o Student Spaceflight Experiments Program (SSEP) – É realizado há quinze anos pela NCESSE e com a chancela da NASA para estimular a pesquisa espacial entre jovens. Tradicionalmente, os milhares de participantes são americanos ou canadenses. 
Sobre a Missão Garatéa – Esforço nacional formado por um consórcio de institutos, universidades e empresas que busca difundir a ciência na sociedade brasileira utilizando o espaço como elemento motivador. Sua principal atividade, um vôo de uma sonda lunar agendada para 2022, acabou servindo como inspiração e desdobramento para outras frentes, como projetos educacionais similares à Garatéa-ISS 

 

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