REVISTA TAE - Bangladesh: ONU usa energia solar para levar água potável a refugiados rohingya
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Bangladesh: ONU usa energia solar para levar água potável a refugiados rohingya

Data:11/01/2019
Fonte: www.nacoesunidas.org

Cinco sistemas de água potável movidos a energia solar abastecem mais de 40 mil refugiados rohingya que vivem em assentamentos em Cox’s Bazar, em Bangladesh. As redes “verdes” de fornecimento são fruto de uma parceria da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) com outras instituições humanitárias. Mais de 900 mil rohingyas vivem em 36 locais diferentes na região.

Crianças rohingya brincam no assentamento de Kutupalong para refugiados em Bangladesh. Foto: ACNUR/Roger Arnold


Em acampamentos de refugiados rohingya em Cox’s Bazar, Bangladesh, os primeiros cinco sistemas de água potável movidos a energia solar estão agora operando com sua capacidade total. Instalados pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nos últimos seis meses, esses reservatórios ampliam o abastecimento diário de recursos hídricos em acampamentos lotados. Com a tecnologia, o organismo internacional espera tornar a sua resposta humanitária “mais verde” e menos poluente.

As redes funcionam inteiramente com eletricidade gerada por meio de painéis solares. Bombas motorizadas extraem água dos recém-instalados tanques clorados, com capacidade de 70 mil litros. A água é então canalizada para torneiras coletivas, estrategicamente instaladas em toda a área de Kutupalong-Balukhali. O objetivo do ACNUR é fornecer diariamente 20 litros de água limpa e segura para cada refugiado.

Mais de 900 mil rohingyas vivem em 36 locais diferentes na área de Cox’s Bazar. A água é escassa na maioria dos assentamentos. Durante a estação da seca, por exemplo, a única solução no campo de Nayapara é carregar a água, o que é muito caro. Segundo a agência da ONU, tem sido difícil garantir fontes de água adequadas para toda a população refugiada. Em sua maioria, esses asilados foram forçados a fugir para Bangladesh no final de 2017.

É por isso que o ACNUR e seus parceiros intensificaram esforços ao longo de 2018 para atender às necessidades massivas de melhores sistemas de água e saneamento.

O uso da energia solar permitiu que a comunidade humanitária reduzisse os custos de energia e as emissões de gases do efeito estufa. A cloração é um método salva-vidas em campos de refugiados desta escala. Testes recentes revelaram que a maior parte da contaminação da água potável ocorre durante a coleta, o transporte e o armazenamento doméstico.

A água clorada é segura para beber e elimina os riscos de propagação de doenças. As fontes de água anteriores — principalmente os equipamentos com bombas manuais — eram muitas vezes altamente contaminadas pelas águas de resíduos que penetravam nos poços.

As cinco novas redes de abastecimento foram concluídas em conjunto pelo ACNUR, a Médicos Sem Fronteiras, a OXFAM e a BRAC. Os sistemas estão fornecendo água potável para mais de 40 mil refugiados atualmente. Outros 55 mil rohingyas serão beneficiados num futuro próximo, pois o organismo das Nações Unidas e seus parceiros esperam instalar mais nove sistemas de água movidos a energia solar em Kutapalong, a um custo de 10 milhões de dólares.

De acordo com a instituição da ONU, o esforço para fornecer água potável suficiente para todos os refugiados tem sido um enorme desafio. A empreitada exige a perfuração de milhares de poços profundos e a construção de redes de água, incluindo a instalação de tubulações, barragens, canais, mecanismos de filtragem e sistemas de cloração.

Ao longo de 2018, o ACNUR ampliou suas ações na área, investindo em tecnologias verdes que economizam energia e reduzem a poluição. A agência também aumentou sua equipe em Cox’s Bazar, trazendo mais especialistas e novas entidades colaboradoras para construir barragens em córregos, a fim de implantar reservatórios de água. A partir desses tanques, será possível produzir água potável, limpa e clorada.

O ACNUR tem trabalhado em estreita colaboração com o governo do Bangladesh para identificar fontes de água para os refugiados. As autoridades também apoiaram as atividades da instituição com consultoria especializada e permissões para cavar poços de tubos e construir outras estruturas, tais como reservatórios, estações de tratamento, oleodutos, tanques de armazenamento, sistemas de cloração e furos equipados com bombas manuais.

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