REVISTA TAE - Qualidade ruim do rio Paraopeba
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Qualidade ruim do rio Paraopeba

Data:08/02/2019
Fonte: Envolverde

Ana Maria

A Fundação SOS Mata Atlântica iniciou expedição, dia 31 de janeiro, que irá percorrer 356km do rio Paraopeba, de Brumadinho à Hidroelétrica Retiro Baixo e o reservatório de Três Marias, em Felixlândia (MG). O objetivo da ação é avaliar os impactos ambientais no rio após o rompimento da barragem Córrego do Feijão, da Vale.

No primeiro dia da viagem o resultado foi negativo e a chuva também atrapalhou o acesso aos locais de análise. Os dois pontos monitorados pela equipe estavam com qualidade de água ruim. Essa região está localizada no marco zero do deslizamento da barragem, entre o Córrego do Feijão e o município de Mário Campos. A primeira amostragem foi realizada 100 m antes da área afetada pela lama, porém o resultado já mostrava ser negativo. Já no município de Mário Campos o cenário foi ainda mais desolador. “Neste local sequer foi possível analisar outros indicadores a não ser a oxigenação da água, que chegou a zero e a turbidez, que estava quase 100 vezes o indicado pela legislação para água de rios e mananciais. O rio mais parecia um tijolo líquido“, afirma Malu Ribeiro, especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica.

A equipe de água da organização, em parceria com o laboratório de Poluição Hídrica da Universidade de São Caetano do Sul, conta com apoio da Ypê e da Policontrol, empresa de fornecimento de equipamentos de alta precisão. A turbidez da água é avaliada pela quantidade de partícula sólida em suspensão, o que impede a passagem da luz e a fotossíntese, causando a morte da vida aquática. No local, a turbidez chegou a quase 10 mil NTU – o ideal, segundo a legislação para água doce superficial, é de até 100. NTU é a sigla em inglês para a unidade matemática Nefelométrica de Turbidez (Nephelometric Turbidity Unity).

No segundo dia de monitoramento, os pesquisadores retornaram a Brumadinho para analisar o rio Paraopeba na área urbana da cidade. Em seguida, a equipe parte para o município de São Joaquim de Bicas, região com assentamentos de sem-terra e comunidades indígenas. No fim do dia, Betim será o destino da expedição. No município está a Usina Termelétrica de Igarapé e, por conta da barragem, muito rejeito deve ter parado no local. No sábado, 2 de fevereiro, a Fundação SOS Mata Atlântica iniciará suas atividades nos municípios de Pará de Minas e Juatuba. “Nessa região é onde está sendo feita a barragem de contenção de rejeitos em área de captação de água. Lá, conseguiremos saber se essa estratégia está funcionando ou não“, finaliza Malu.  

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