REVISTA TAE - Equilibrar o balanço hídrico
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Equilibrar o balanço hídrico

Data:08/08/2019
Fonte: Allonda Ambiental


O balanço hídrico é a diferença entre toda água que chega e sai de uma determinada região por um determinado tempo. Em uma operação de mineração ele é complexo e envolve diversos fatores. São consideradas as contribuições de nascentes, infiltrações, evaporação, grandes áreas de contribuição, sazonalidades atmosféricas, além de todos os riscos geotécnicos e ambientais que precisam ser constantemente mitigados e monitorados.

O acompanhamento e análise do balanço hídrico deve ser feito em diferentes bases de tempo, de acordo com o objetivo daquela aferição. O balanço online ou na menor base de tempo possível serve para controles de perdas, detectar vazamentos, calibrar a instrumentação, tomar ações imediatas e permitir análises estatísticas de correlações de causa e efeito.

Consolidar o balanço diariamente ou uma vez por mês para quantificar perdas e consumo é mandatório por questões econômicas e legais. Já o levantamento anual dá aos gestores uma visão mais ampla, que permite quantificar as interferências das contribuições sazonais. Há ainda o balanço hídrico realizado na escala do empreendimento, antes, durante e depois da operação, para quantificar o impacto da atividade sobre o meio ambiente.

Oportunidades de melhoria no balanço hídrico

O volume de efluentes descartados é o primeiro indicador a ser observado na hora de identificar oportunidades de melhoria. Todo excedente pode e deveria ser tratado e reutilizado, seja no ponto de descarte, ou caso possível, em cada local que individualmente contribui para a geração dos efluentes, ou seja, as fontes de perda.

Também é importante analisar a quantidade de água perdida com a saída de produtos e, principalmente, rejeitos. Geralmente as sobras são direcionadas para desaguamento e estocagem com grandes volumes de água de difícil aproveitamento. Reduzir ao máximo a umidade do rejeito antes de seu descarte ou reaproveitamento propicia economia de água, redução de área de disposição, menores riscos ambientais, maior facilidade de controle ambiental e de segurança.

É importante lembrar que estes riscos jamais podem ser completamente eliminados, mesmo uma pilha de rejeito filtrado precisa ser projetada, operada e monitorada com o maior rigor possível.

Reaproveitamento da água deve ser prioridade

Toda a água utilizada no processo produtivo pode ser recuperada, tratada e recirculada. Claro que há algumas perdas por infiltração, evaporação e na umidade de produtos e rejeitos, mas ainda assim o impacto é enorme. A reutilização gera economia na captação de água nova (estruturas civis, bombas, adutora, outorgas, energia) e implica em menos perdas e menor geração de efluentes.

A consequência vem no aumento da recuperação de insumos e produtos que de outra forma seriam tratados para descarte no ambiente. Outro reflexo do reaproveitamento está no impacto ambiental e social da operação, além da redução de todos os riscos associados.

Porém para que o reaproveitamento tenha esse sucesso, o correto dimensionamento da estação de tratamento é primordial. Erros nessa fase do projeto podem acarretar em custos excessivos com produtos químicos, e até mesmo comprometer a capacidade de atingimento dos requisitos de qualidade especificados para a água.

Alguns processos de concentração, como a flotação de minerais, são sensivelmente afetados pela qualidade da água. Quando feito para reúso no beneficiamento, o tratamento com qualidade ruim pode até mesmo causar danos nos equipamentos ou impactar a recuperação metálica.

Chuvas podem ser aliadas e vilãs no balanço hídrico

O gerenciamento de águas pluviais é fundamental em uma operação de barramento, independente se a água será aproveitada na produção. Deve-se possuir um sistema de drenagem eficiente para não permitir o contato com as águas industriais, já que a introdução de água de chuva nesse sistema causa grandes prejuízos econômicos e ambientais.

Aumento no volume de efluentes, sobrecarga nas estruturas de contenção e de extravasão e arraste de finos, sedimentos, produtos, insumos e contaminantes para o meio ambiente são apenas alguns exemplos de problemas oriundos do mal gerenciamento de águas pluviais.

Ao mesmo tempo que podem representar risco, essas águas também têm a capacidade de ser oportunidades. O armazenamento em estruturas como cisternas e barramentos permite o seu aproveitamento no processo produtivo, com grande impacto positivo no balanço hídrico, além de benefícios econômicos e ambientais.
 

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