Editorial
Por Tae
Edição Nº 42 - abril/maio de 2018 - Ano 7
De 18 a 23 de março, Brasília sediou o 8º Fórum Mundial da Água, com representantes de 170 países reunidos sobre o tema: “Compartilhando Água”. Na sessão de abertura, o presidente Michel Temer abordou a proposta do novo marco regulatório do saneamento
O fórum, o Brasil e o marco regulatório
De 18 a 23 de março, Brasília sediou o 8º Fórum Mundial da Água, com representantes de 170 países reunidos sobre o tema: "Compartilhando Água". Na sessão de abertura, o presidente Michel Temer abordou a proposta do novo marco regulatório do saneamento para o Brasil. "Estamos ultimando projeto de lei com vistas a modernizar nosso marco regulatório de saneamento e incentivar novos investimentos, o que nos move naturalmente a busca da universalização desse serviço básico", disse o presidente, sem precisar a data de envio da proposta ao Congresso Nacional.
Em janeiro, o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, havia dito que o saneamento "é o maior desafio do país neste momento". A ideia é que as prefeituras possam aderir a um programa nacional, com a participação da iniciativa privada, o que estimularia a competitividade no setor e a ampliação de investimentos, no qual a Agência Nacional de Águas – ANA, deve ter um papel regulador e normatizador no setor de saneamento básico, inclusive no aspecto tarifário, que fica hoje a cargo dos municípios.
Foi a primeira vez que um país do hemisfério sul sediou o Fórum Mundial da Água, que teve início em Marrakesh em 1997, e é realizado a cada três anos. Vale lembrar que o Brasil tem posição de destaque no cenário ambiental, tendo realizado a Eco 92 no Rio de Janeiro em 1992, e também a Rio+20 em 2012, além de ser um ponto de atenção mundial em relação ao meio ambiente devido a extensão geográfica, hídrica, biodiversidade, além de deter a maior parte da floresta amazônica.
É relevante que como sede do 8º Fórum Mundial da Água, Brasília seja conhecida pelo clima seco e esteja desde o início do ano passado, com racionamento de água devido à crise hídrica na região, que o governo espera superar até o final do ano. O presidente Temer ainda lembrou que as soluções para os problemas mundiais de disponibilidade da água devem ser sempre coletivas, e que "se atuarmos de forma desarticulada, todos pagaremos um preço".
A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Audrey Azoulay, ressaltou durante o lançamento do "Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018", que se nada for feito em relação ao cenário atual, que em 2050 cerca de 5 bilhões de pessoas viverão em áreas com baixo acesso à água.
Nas matérias dessa edição, trazemos a obtenção de floculante vegetal catiônico a partir de taninos extraídos dos resíduos sólidos da produção de açaí no Pará; dados estatísticos de saneamento em Recife de 2014 a 2016; Watercel ZE, uma alternativa para Estações de Tratamento de Água (ETA) e Esgoto (ETE); sistemas para armazenamento de água; a pegada hídrica do Brasil; a gestão de Estações de Tratamento de Água em dispositivos móveis; bombas para estações de tratamento; novas tecnologias e processos para tratamento de água e efluentes; válvulas e atuadores instaladas em estações de tratamento; e muito mais.
Boa leitura!