Perdas de água dificultam o avanço do saneamento básico e agravam o risco de escassez hídrica no Brasil
Por Instituto Trata Brasil
Edição Nº 12 - abril/maio de 2013 - Ano 2
O avanço do saneamento básico no Brasil, uma das áreas mais atrasadas na infraestrutura nacional, dependerá de melhorias na gestão do setor, em especial da situação dramática das perdas de água no Brasil.
O avanço do saneamento básico no Brasil, uma das áreas mais atrasadas na infraestrutura nacional, dependerá de melhorias na gestão do setor, em especial da situação dramática das perdas de água no Brasil. Em 2010, as perdas de faturamento das empresas operadoras com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água, alcançaram, na média nacional 35,7%. Uma redução de apenas 10% das perdas no país agregaria R$ 1,3 bilhão à receita operacional com a água, equivalente a 42% do investimento realizado em abastecimento de água para todo o país naquele ano. Redução de perdas mais significativas ajudaria ainda mais as empresas a terem recursos para a expansão do atendimento em água potável, mas também da ampliação das redes de esgoto e seu tratamento.
Esta é a constatação do mais novo estudo "Perdas de água: entraves ao avanço do saneamento básico e riscos de agravamento à escassez hídrica no Brasil", criado pelo Instituto Trata Brasil que é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), iniciativa de responsabilidade socioambiental que visa à mobilização dos diversos segmentos da sociedade para garantir a universalização do saneamento no país.
O estudo tem como objetivo principal estudar a situação das perdas de água do país, com foco nas grandes regiões, nos estados e no grupo das 100 maiores cidades brasileiras. Os dados utilizados são de 2010, que são os números oficiais mais recentes, e se baseiam nas perdas financeiras dos provedores dos serviços informados ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades e foi desenvolvido pelos Professores Doutores Rudinei Toneto Jr, da USP-Ribeirão Preto e Carlos Saiani, do Instituto Mackenzie.
Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, comenta: "O estudo e suas simulações mostram que mesmo pequenos ganhos, como reduções de 10% nas perdas atuais, resultariam em recursos financeiros muito importantes para melhorar o fornecimento de água, mas também a expansão das redes de esgoto e tratamento no Brasil.
Níveis de perdas tão altas, como os das regiões Norte e Nordeste, fazem com que em muitos casos a arrecadação com o fornecimento de água não seja suficiente sequer para pagar os custos desses serviços. Esse quadro inibe os investimentos necessários para que muitos brasileiros tenham condições de viver dignamente".
No mapa é possível conferir a diferença nos níveis de perdas de faturamento nos estados brasileiros.