As Geotecnologias E O Controle Do Chorume: O Uso Da Geociência Na Aquisição De Ambientes Adequados Para Aterros Sanitários Controlados
Por Jadson Freire Da Silva, Rutt Keles Alexandre Da Silva, Ana Lúcia Bezerra Candeias
Edição Nº 39 - outubro/novembro de 2017 - Ano 7
Tão inevitável quanto a geração de resíduos sólidos – lixo, ao desempenhar atividades corriqueiras do cotidiano, é a necessidade de tratar de forma inteligente as iniciativas condizentes a seu destino adequado
Tão inevitável quanto a geração de resíduos sólidos – lixo, ao desempenhar atividades corriqueiras do cotidiano, é a necessidade de tratar de forma inteligente as iniciativas condizentes a seu destino adequado. O assunto excluído das pautas tratadas por grande parcela da população, que em diversos casos, preocupa-se apenas com a retirada deste, do ambiente doméstico, abriga toda uma problemática e está impregado de preconceitos. Acerca dos resíduos sólidos há entidades, organizações e famílias vivendo direta ou indiretamente dos procedimentos de coleta, venda, tratamento e reutilização destes materiais, que muitas vezes, retiram a sua fonte de renda dos ambientes deposicionais de resíduos sólidos não controlados, popularmente conhecidos como lixões.
Os lixões são ambientes altamente inóspitos, onde há, além da presença de animais sinantrópicos (ratos, baratas e escorpiões), alimentos em estágio de putrefação, resíduos cortantes e infecciosos, podendo comprometer a qualidade da saúde de qualquer pessoa que se exponha a estes. Seus processos de decomposição acarretam o chorume, líquido escuro e malcheiroso que em contato direto com os lençóis freáticos ou corpos hídricos, inviabiliza seu uso. O solo também pode ser contaminado pelo chorume tornando os seres vivos vulneráveis às enfermidades pela proximidade direta ou indireta por meio da agricultura, pecuária ou habitação. Vale ressaltar que o consumo de produtos contaminados acarreta graves danos à saúde. Neste sentido, destaca-se quatro divisões de compostos encontradas no chorume: matéria orgânica dissolvida, compostos orgânicos xenobióticos, macrocomponentes inorgânicos e metais pesados (LEGNER, 2017).
Observando tal problemática, o Brasil promulgou a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, estabelecida pela Lei 12.305/2010, onde previa o fim dos lixões não controlados em todo território brasileiro até o ano de 2014. Todavia, muitos municípios ainda mantêm seus lixões em exposição, alegando a falta de capital para gerir tal procedimento ou então, ausência de um local adequado, assim, mesmo sendo alvo de diversas multas ambientais, ainda se perpetua ambientes deposicionais não controlados em toda a esfera nacional, tais como o Lixão da Estrutural, em Brasília, o Lixão municipal de Itapeva, São Paulo e no município de Atalaia, Alagoas por exemplo (IMA, 2017; SAP, 2017; G1, 2017a, 2017b). Ainda em meio as mudanças concernentes à transição dos lixões não controlados para aterros sanitários, um local adequado para esses ambientes, de forma que seja reduzida o contato do resíduo sólido e o chorume entre vilas e bairros próximos, corpos hídricos, áreas preservadas e agricultáveis, a geotecnologia se inclui, sendo um grande aliado no que se refere a solução na gestão pública ou privada nas grandes e pequenas cidades.
Em âmbito internacional, pesquisadores de países emergentes como a China, Índia e Egito utilizam processos oriundos das geociências para detectar e aplicar da forma mais eficiente possível, novas áreas potenciais de aterros controlados. Utilizaram uma série de dados georreferenciados e interpolados, como proximidade de rios, córregos e barragens; uso do solo e da terra; proximidade com aeroportos, centros comerciais e de entretenimento; declividade da área; estrutura viária; tipo de solos; proximidade a áreas inundáveis e centros urbanos/ históricos e fluxo populacional, para só então assim, apontar áreas potenciais a instauração de aterros sanitários. Controlando deste modo, a problemática do lixo e do chorume (MONSEF, 2015; CHOUDHURY; DAS, 2012; OHRI et al., 2015; YANG et al., 2008). No Brasil, trabalhos envolvendo temática semelhante, analisando séries robustas de informações interpoladas são observadas em 2012 (BORTOLATTO, AHLERT, 2012), contudo, o uso mais acurado das técnicas é recente, sendo verificado nos trabalhos de Rezende, Leite e Carriello (2015) e Amaral e Lana (2017), onde os produtos destes retratam ambientes de maior potencialidade no controle e gestão do chorume, lixo e seus derivados (Figura 2).