O Diagnóstico Inicial E O Impacto Junto À Ineficiência Da Remediação
Por Juliano De Almeida Andrade
Edição Nº 38 - agosto/setembro de 2017 - Ano 7
O estudo de caso apresentado relata uma aplicação de remediação de solo in-situ através de processos químicos oxidativos e redutores avançados, com foco principal em reduzir os teores dos contaminantes a níveis que não ofereçam riscos à saúde humana
O estudo de caso apresentado relata uma aplicação de remediação de solo in-situ através de processos químicos oxidativos e redutores avançados, com foco principal em reduzir os teores dos contaminantes a níveis que não ofereçam riscos à saúde humana, sobretudo de caráter tóxico e carcinogênico, desde que na área investigada não houvesse a presença de fonte ativa de contaminação.
Em 2013 a empresa Oxi Ambiental, especializada em Remediação Ambiental, atuando diretamente com tecnologia própria e inovadora no tratamento de solo e água subterrânea, foi contratada para dar continuidade ao processo de remediação ambiental em uma indústria química, aplicando tecnologia in-situ. A empresa passava por um processo de remediação utilizando técnicas físicas e mecânicas de bombeamento e tratamento (Pump and Treat) a cerca de 7 anos sem sucesso e sem aparente explicação dos resultados obtidos.
Cabe lembrar que as empresas de remediação são contratadas muitas vezes sem ter realizado a etapa anterior – partindo de estudos de investigação confirmatória e detalhada elaborados por outra empresa. Esse foi o nosso caso.
O trabalho de remediação ambiental é a etapa conclusiva de uma série, que se inicia com:
1. Investigação confirmatória, que confirma a presença de contaminantes no solo/água;
2. Investigação detalhada, que caracteriza o meio físico onde se insere a Área Contaminada sob Investigação (ACI), determina as concentrações das substâncias químicas de interesse nos diversos meios avaliados, define tridimensionalmente os limites das plumas de contaminação, quantifica as massas das substâncias químicas de interesse, considerando as diferentes fases em que se encontram, caracteriza o transporte das substâncias químicas de interesse nas diferentes unidades hidroestratigráficas e sua evolução no tempo e caracteriza os cenários de exposição necessários à realização da etapa de Avaliação de Risco.
Uma das primeiras iniciativas da Oxi Ambiental ao assumir integralmente o processo de remediação foi a apresentação e detalhamento do Relatório de Avaliação de Risco à Saúde Humana, cujo os resultados mostraram um cenário bastante crítico para os contaminantes avaliados, sendo que, em resumo, os compostos organoclorados TetracIoroeteno e cis-1,2-DicIoroeteno encontraram-se cerca de 500 (quinhentas) vezes superior ao limite de intervenção estabelecido pela CETESB, assim como outros cinco contaminantes estavam com concentrações significativamente acima do limite máximo permitido. Todas as substâncias presentes no site se enquadraram em um grupo químico que apresentam semelhantes características físico-químicas e toxicológicas, sendo classificados no grupo de contaminantes organocIorados.
Em 2014 iniciou a aplicação de reagentes químicos, e nos anos subsequentes, os resultados comprovaram a efetividade da tecnologia na descontaminação da área, com a diminuição significativa das plumas de contaminação e dos riscos à saúde humana, constatando a degradação contínua e sistemática dos contaminantes alvos. A remediação aparentava ter sucesso. As medidas químicas de intervenção aplicadas resultaram na eliminação do risco à saúde humana para os contaminantes avaliados na área interna e externa do terreno do empreendimento, com exceção a um ponto interno da fábrica, onde ocorreram operações industriais envolvendo a destilação de solventes clorados, logo, a incoerência das informações levaram a Oxi a duas conclusões:
1ª: Diagnóstico Impreciso e Incompleto:
Análises realizadas demonstraram mudanças significativas no cenário ambiental contratado. Isso era um indício claro que a área ainda possuía fonte ativa de contaminação não identificada no relatório recebido – na qual a remediação foi baseada. Isso poderia ocorrer por dois motivos: (i) a produção continuava em operação e ainda contaminando a área industrial, e/ou (ii) havia bolsões de contaminação não identificados no relatório detalhado. Como a produção havia sido paralisada há anos, restava a segunda alternativa.
Baseado na experiência e conhecimento técnico da equipe, foram indicadas as áreas identificadas como potenciais fontes primárias (ativas) de contaminação.
As campanhas de injeção foram planejadas nas intermediações vizinhas às áreas de "hot spots" identificadas na fase dissolvida, localizado à jusante das fontes de contaminação, ao lado externo da área da empresa, que foi a área identificada como a de maior risco à saúde. Priorizamos áreas próximas ao reator de solvente, área de manutenção, armazenamento, expedição.
A figura 1 mostra o croqui (planta baixa) da área do estabelecimento, sendo que são destacadas as áreas atualizadas (em escala real), incluindo as antigas áreas das principais edificações e atividades ao ar Iivre, abrangendo a localização dos poços de monitoramento (PM), poços muItiníveis (PMN) e poços de injeção (PI) ativos existentes no local, posicionamento das fontes potenciais de contaminação e instalações históricas. Nenhuma obra de escavação ou terraplanagem ou construção civil têm sido realizadas no terreno. Com base nisso, identificamos duas áreas de ocorrência de bolsão de contaminantes que não haviam sido identificados no diagnóstico preliminar à remediação (área roxa da figura 1).