Desafios e Soluções na Gestão de Efluentes Industriais
Por Carla Legner
Edição Nº 78 - Abril/Maio de 2024 - Ano 13
São denominados efluentes todos os produtos, sejam líquidos ou gasosos, gerados por ações humanas e liberados na natureza. Quando são lançados no meio ambiente sem tratamento causam inúmeros problemas e danos ambientais.
São denominados efluentes todos os produtos, sejam líquidos ou gasosos, gerados por ações humanas e liberados na natureza. Quando são lançados no meio ambiente sem tratamento causam inúmeros problemas e danos ambientais. De maneira geral, esses efluentes são classificados em dois tipos: industriais e domésticos.
Os efluentes industriais são líquidos descartados proveniente de emanações de processo industrial, água de refrigeração poluída, água pluvial poluída e esgoto doméstico. Lembrando que, os diversos ramos industriais geram efluentes com volumes, composições físicas, químicas e biológicas diferentes. Essas características variam de acordo com a operação exercida e como os materiais e substâncias são utilizados ou gerados em suas atividades.
Atualmente, as chaminés de indústrias são as principais emissoras de efluentes em forma de gás. Já os efluentes líquidos podem ser originados de diversas maneiras, uma vez que água pode ser contaminada por compostos químicos e tóxicos, por exemplo.
O resultado desta diversidade é a grande quantidade de efluentes lançados na natureza, com diferentes níveis de periculosidade e poder de poluição. Aliado aos efluentes domésticos, a maior parte desses resíduos não recebe nenhum tipo de tratamento, o que irá ocasionar alterações nos corpos receptores, contaminando o solo e a água, além de oferecer o risco para plantas, animais e aos humanos.
Nesse sentido, os efluentes derivados das atividades industriais e até as próprias ações cotidianas da população devem ser tratados antes de serem lançados no meio ambiente. Trata-se de uma ação imprescindível para se alcançar o desenvolvimento sustentável e preservar os recursos naturais.
Principais desafios
Realizar o controle dos efluentes industriais não é uma tarefa simples e, considerando todas as suas variações, é necessário que eles sejam caracterizados, quantificados e tratados de maneira adequada. Tudo isso é fundamental para remover o máximo da sua carga poluidora antes de serem lançados em seu destino final.
Quando o tratamento não é realizado, o volume de efluentes descartados nos corpos de água e no solo se torna altamente nocivo à composição química da água e ao lençol freático, que aos poucos vão sendo contaminados.
As consequências de um ambiente poluído são a transmissão de doenças aos humanos, redução do oxigênio debaixo da água ocasionando a morte de peixes e outros organismos aquáticos, a inutilização da água para banho ou atividades recreativas, dentre outras.
Nesse sentido, as políticas ambientais e de saneamento básico e os processos de coleta e tratamento de efluentes foram desenvolvidos para proteger a natureza e garantir o direito humano aos serviços básicos como higiene e saúde por meio do acesso à água tratada.
A legislação brasileira define que as indústrias são responsáveis pelo tratamento da água e de seus efluentes. Também são caracterizados por lei os padrões de qualidade dos corpos de água que receberão cada tipo de efluente tratado.
O não cumprimento das leis e decretos de defesa do meio ambiente gera multa e as empresas são penalizadas pelos órgãos ambientais que fiscalizam o tratamento e descarte irregular dos efluentes ou outros casos de descumprimento da lei.
Infelizmente as dificuldades não param por aí. Hoje, o principal desafio, quando falamos de gestão de efluentes, é acesso ao saneamento básico. Isso porque, em muitos casos, o esgoto gerado pela população brasileira não recebe qualquer tratamento e vão direto para rios, reservatórios de água, mananciais e lagos do país. Esse cenário influencia diretamente na saúde pública da população.
Por outro lado, vale destacar que já há iniciativas no Brasil e no exterior para buscar novas soluções no tratamento de efluentes. A tecnologia se tornou uma poderosa aliada para desenvolver técnicas mais eficientes e sustentáveis. A filtração mecânica para sólidos suspensos e ultrafiltração pressurizada para macromoléculas e bactéria são dois exemplos recentes.
Além disso, temos as ETEs compactas. São como Estações de Tratamento de Efluentes convencional, mas que apresentam uma dimensão menor e conseguem atender baixas vazões. São usadas em indústrias e condomínios, possuem um baixo custo de operação, menor consumo de energia elétrica e alta eficiência.
Vale destacar também que tratamento de alguns efluentes industriais permite a sua reutilização em outras atividades produtivas, irrigação de jardins e lavagem de pátios. Esse recurso torna-se uma fonte alternativa que beneficia ao meio ambiente e gera diminuição de gastos para a empresa.