Na Bahia o acesso à água depende das políticas públicas

Programa Água para Todos tem mais de R$ 9 bilhões em investimento desde 2007


Na Bahia, estado que possui, ao mesmo tempo, o maior número de pessoas vivendo da agricultura familiar e 70% do território na região semiárida do país, o acesso à água depende, em grande parte, das políticas públicas. O Governo do Estado criou, em 2007, o programa Água Para Todos (PAT), que tem a Embasa como principal executora. Mais de R$ 9 bilhões foram investidos nesse período, levando água tratada para casas, negócios e também para a pequena produção do homem do campo, beneficiando milhões de baianos.

A gestão do Programa Água Para Todos é feita pelo Colegiado Institucional de Coordenação, presidido pela Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (Sihs) e pelo Comitê Gestor, coordenado pela Embasa e pela Cerb. Composto por empresas públicas, superintendências e autarquias, o Comitê Gestor executa os Planos de Ação, articulando atividades operacionais, assim como toda a produção técnica pertinente às metas físicas estabelecidas por cada ente executor nas linhas de ação existentes.

 “O programa nasceu em 2007, com o objetivo de ampliar a oferta, garantir água de qualidade e segurança hídrica. Houve também a necessidade de articular a pauta da água, que é transversal e executada por diversas estruturas do Governo do Estado”, afirmou o secretário de Infraestrutura Hídrica e Saneamento, Leonardo Góes. “Por conta de ações bem planejadas, conseguimos fazer com que cada R$ 1 gasto se reverta quatro vezes na economia em saúde, pois sabemos que as principais doenças chegadas nos postos são fruto de contato com rejeitos, resíduos e consumo de água sem tratamento”, acrescentou.

De 2007 a 2020, foram investidos recursos da ordem de R$ 6,01 bilhões nas linhas de ação de abastecimento de água, projetos socioeconômicos e estudos estratégicos. Isso possibilitou a implantação de 1,62 milhão de novas ligações de água pela Embasa, atendendo a mais de quatro milhões de pessoas; ampliação de 1.025 sistemas de água, em área rural ou urbana, e 448 localidades atendidas com 2,26 mil quilômetros (km) de extensão de rede, pela Embasa.

No mesmo período, o PAT proporcionou o atendimento de 6.556 localidades no meio rural com sistemas de abastecimento de água, beneficiando 1,48 milhão de pessoas. Ainda, 232.576 cisternas de consumo levaram água para mais de 800 mil pessoas. Para os projetos socioeconômicos, houve a implementação de tecnologias sociais envolvendo 15.696 cisternas de produção, 5.974 cisternas calçadão e mais de 15 mil barreiros entre comunitários e familiares.

No esgotamento sanitário e no saneamento integrado, foram investidos R$ 3,22 milhões. Dentre as principais ações, estão a implantação de 942,6 mil novas ligações de esgoto pela Embasa, atendendo a mais de 3 milhões de pessoas; 48 Sistemas de Esgotamento Sanitário (SES) implantados, beneficiando 211,2 mil pessoas; 84 obras de Ampliação em SES, beneficiando 1,53 milhão de pessoas; 29.959 Módulos Sanitários Domiciliares (MSD) implantados no meio rural disperso, beneficiando 103,5 mil pessoas; e 26 projetos de Saneamento Integrado, beneficiando 43,6 mil pessoas da zona urbana.

Adutora do São Francisco

A região de Irecê, no Polígono da Seca, se notabilizou pela agricultura, especialmente do feijão, cenoura, beterraba, tomate e cebola. Isso provocou crescimento populacional, gerando grande demanda por água em uma área predominantemente árida que conta, atualmente, com quase 420 mil moradores. Diante da necessidade de ampliar o acesso à água na região, a Embasa já investiu, desde 2007, cerca de R$ 275 milhões em obras de abastecimento nesse território, como a adutora do São Francisco, concluída em 2013, maior obra já realizada pelo programa estadual Água para Todos.

A Estação de Tratamento de Água (ETA) de Rio Verde, localizada no município de Itaguaçu da Bahia, capta água a 60 quilômetros de distância, na região de Xique Xique, no Rio São Francisco, e atende aos municípios de América Dourada, Central, Irecê, João Dourado, Jussara, São Gabriel e Itaguaçu da Bahia por meio de 132 quilômetros de tubulação e 13 estações de bombeamento. Essa foi a solução encontrada para a região, anteriormente abastecida pela barragem de Mirorós, cujo volume disponível vinha diminuindo gradativamente. A ETA, capaz de produzir 750 litros de água por segundo, possui três módulos de tratamento e permite o reaproveitamento de toda a água que entra na estação.

A diretora de uma escola infantil na região de Itaguaçu, Iolene Nunes, 32 anos, mora com o marido e dois filhos. Ela conta como era difícil cuidar da casa antes da construção do ETA. “A gente tinha que pegar água numa certa localidade, não tinha um reservatório, então a gente ia buscar de balde. Depois melhorou um pouco, começou a fornecer nas casas, mas a água não era tratada e causava alguns problemas de saúde, principalmente nas crianças. Hoje, graças a Deus, a água, por ser tratada, já não tem mais essa questão de problemas de saúde e também não falta água nas casas da gente. Temos todos os dias”. 

Água para todos é justiça para todos

Para o secretário da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Carlos Martins, o Programa Água para Todos revolucionou as políticas públicas para a convivência com o semiárido. Ele destaca que o PAT serviu de piloto para um programa nacional. “Nós temos objetivos muito bem definidos de fixação do homem no campo, de oferecer água para o consumo e para a produção, de geração de emprego e renda. A SJDHDS faz parte do Sistema Único da Assistência Social, temos o Sistema da Segurança Alimentar, e essas duas frentes são fundamentais para o programa Água Para Todos. Quando você fornece tecnologias para a produção você acaba gerando renda e evita o problema principal que é o problema da fome, e ajuda também outros programas importantes, que são o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa de Aquisição do Leite”.

Moradora da região de Celão, na zona rural de Amélia Rodrigues, dona Maria das Neves, 72 anos, conta como a vida mudou desde o início deste ano, quando foi construído um sistema simplificado de abastecimento que atende a cerca de 30 famílias da região. Ela, que mora com o filho de 48 anos, agricultor, fala que, com a idade, a falta de água criava mais dificuldades. “A gente se batia muito por água aqui. Água era dificuldade. Levantava, pagava água para encher os baldes, caixas, tudo aqui. Quando chovia que eu agradecia a Deus primeiramente. A gente enchia tudo de água de chuva, a gente ia economizando. Mas agora, tem água quente no chuveiro, tem água na pia o quanto quiser”.

Com informações da Secom

Foto: ETA Itaguaçu da Bahia

Publicidade